A Polícia Federal decidiu acionar a Advocacia-Geral da União. O motivo é uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça. Ele determinou que todos os passos da investigação sobre fraudes no INSS passem primeiro por seu gabinete.
Essa investigação específica envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Por isso, o caso é tratado com extrema sensibilidade pelos envolvidos. A medida do ministro gerou desconforto nos agentes que trabalham nas apurações.
Nos bastidores, integrantes da PF veem a ordem como uma intromissão direta na gestão das equipes. Eles argumentam que a decisão fere a autonomia do órgão. A impressão é que há uma desconfiança do ministro sobre a imparcialidade da polícia nesse processo.
O cerco do ministro às investigações
André Mendonça já havia demonstrado insatisfação com o ritmo das apurações. Antes, ele deu um prazo de sessenta dias para a PF concluir a análise de todo o material apreendido. Itens como celulares e pen drives somam cerca de mil e setecentos objetos.
A polícia respondeu que o prazo era impossível de cumprir. A equipe atual tem apenas onze investigadores, enquanto seriam necessários mais de quarenta. Eles informaram que a análise global do material está apenas quarenta por cento concluída.
O ministro também pediu que a equipe responsável fosse mantida intacta. Qualquer mudança precisaria de uma justificativa formal no processo. A preocupação dele é que trocas na coordenação atrasem ainda mais a conclusão do inquérito.
As mudanças internas na Polícia Federal
A própria PF já havia realizado uma alteração significativa no caso. A investigação saiu da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários. Agora, ela está sob responsabilidade da Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores.
A justificativa oficial foi de ganho de eficiência. Essa coordenação teria mais estrutura para lidar com casos sensíveis que tramitam no Supremo. No entanto, a mudança pegou o então chefe da divisão anterior de surpresa.
A oposição política interpretou a mudança como uma tentativa de proteger o filho do presidente. O assunto ainda causou um racha entre os próprios investigadores. Alguns enxergam a pressão sobre Lulinha como uma mudança de rumo sem provas concretas.
A tensão entre velocidade e imparcialidade
Há uma percepção de que esta operação, chamada Sem Desconto, está mais lenta que outras. Autoridades comparam seu andamento com o da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master. Esta última parece ter tramitação mais ágil.
Investigadores reclamam internamente da condução de Mendonça. Eles alegam que os pedidos de quebra de sigilo enviados ao gabinete não são analisados na mesma velocidade. O ritmo pareceria variar dependendo de quem é o alvo da medida.
A defesa de Lulinha sempre negou qualquer irregularidade por parte do seu cliente. Até o momento, não há provas suficientes que liguem o filho do presidente a crimes. A ida da PF à AGU marca um novo capítulo nesse impasse entre o ministro e a polícia.
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