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Brasil mira fim de tabus contra Noruega e europeus em Copas do Mundo

A seleção brasileira entra em campo neste domingo com uma missão dupla. Além de buscar a classificação para as quartas de final da Copa do Mundo, a equipe tenta quebrar dois tabus de uma vez só. O primeiro é bastante específico: o Brasil nunca venceu a Noruega em toda a história dos confrontos. O segundo é um fantasma mais recente: a dificuldade contra seleções europeias em jogos eliminatórios.

O duelo acontece às 17h, no horário de Brasília, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Superar a Noruega não será apenas um passo rumo ao título, mas uma quebra de um histórico curioso. A equipe escandinava é a única, entre todos os países que o Brasil já enfrentou, que ainda não conheceu o sabor de uma derrota para a amarelinha.

O retrospecto mostra quatro partidas, com duas vitórias norueguesas e dois empates. O primeiro encontro aconteceu em julho de 1988, em Oslo, e terminou igualado em 1 a 1. Naquele time brasileiro, comandado por Carlos Alberto Silva, já brilhavam futuros tetracampeões como Taffarel e Romário. Do outro lado, alguns nomes têm ligação direta com a geração atual da Noruega.

Nove anos depois, em 1997, os times se enfrentaram novamente no mesmo estádio. Mesmo com um time repleto de estrelas, incluindo Ronaldo e Romário, o Brasil sofreu uma dura derrota por 4 a 2. O atacante Tore André Flo, com seu 1,93m de altura, marcou duas vezes e foi um pesadelo para a defesa brasileira. Esse elenco também guarda parentescos famosos com o futebol atual.

O lateral Alf-Inge Haaland, que atuou naquela partida, é pai do astro Erling Haaland. Outro jogador daquela equipe, o meio-campo Ståle Solbakken, é hoje o treinador da seleção norueguesa. Essas conexões mostram como a história entre as duas seleções está entrelaçada por gerações.

Um histórico que pesa

O terceiro capítulo dessa história ocorreu em uma Copa do Mundo. Em 1998, na França, Brasil e Noruega se enfrentaram na última rodada da fase de grupos. Bebeto abriu o placar, mas os europeus viraram para 2 a 1. O gol da virada foi marcado por Kjetil Rekdal, de pênalti, após falta do zagueiro Júnior Baiano. Esse resultado confirmou a força da Noruega contra o Brasil.

O encontro mais recente aconteceu em 2006, em um amistoso em Oslo. Foi também a estreia de Dunga como técnico da seleção brasileira. A Noruega saiu na frente, mas o meio-campista Daniel Carvalho garantiu o empate em 1 a 1. Desde então, as equipes não se enfrentaram mais, deixando o tabu intacto por quase duas décadas.

Os jogadores brasileiros estão conscientes do peso desse retrospecto. O lateral Douglas Santos comentou sobre isso em entrevista coletiva na última sexta-feira. Ele acredita que o tabu pode servir como motivação extra para a equipe escrever uma nova página nessa história. A missão é clara: mudar o passado para seguir em frente no presente.

O jejum europeu

Além do tabu específico contra a Noruega, há outro número que incomoda. O Brasil não vence uma seleção europeia em jogos eliminatórios de Copa do Mundo desde a final de 2002. Naquela ocasião, dois gols de Ronaldo garantiram o penta sobre a Alemanha. Desde então, toda vez que cruzou com uma equipe do continente em mata-mata, a seleção acabou eliminada.

A sequência negativa começou em 2006, nas quartas de final contra a França. Uma revanche pela final de 1998 não saiu como o planejado. Com um gol de Thierry Henry, os franceses venceram por 1 a 0 e eliminaram o Brasil de Parreira. Quatro anos depois, na África do Sul, foi a vez da Holanda virar o jogo sobre o time de Dunga e vencer por 2 a 1.

O episódio mais traumático veio em 2014, em casa. Após uma campanha sólida, o Brasil foi goleado pela Alemanha por 7 a 1 nas semifinais, no Mineirão. Em 2018, nas quartas de final da Rússia, a Bélgica venceu por 2 a 1 e interrompeu a caminhada da "era Tite". Na última Copa, no Catar, a Croácia empatou no último minuto da prorrogação e venceu nos pênaltis.

Olhando para frente

Muitos dos atuais jogadores da seleção vivenciaram essas eliminações recentes. O atacante Matheus Cunha falou sobre a importância de não reviver aqueles dias difíceis. Para ele, a conversa no grupo é mais sobre superar as próprias dificuldades do que focar no estilo de jogo europeu. A ideia é escrever uma história diferente desta vez.

O caminho para o título sempre exige superar obstáculos grandes. Seja quebrando um tabu histórico contra um adversário específico, seja superando uma barreira psicológica contra todo um continente. O jogo contra a Noruega representa a chance de virar essa chave de uma só vez.

A partida deste domingo é, portanto, muito mais do que uma simples busca por uma vaga nas quartas. É uma oportunidade de enterrar fantasmas do passado e ganhar confiança para os desafios que ainda virão. O time entra em campo com a chance rara de resolver duas contas pendentes em uma única tarde.

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