A assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, que parecia certa para este fim de semana, acabou adiada. A presidente da Comissão Europeia comunicou aos líderes do bloco que a formalização do tratado só deve ocorrer em janeiro. O anúncio foi feito durante uma reunião em Bruxelas, marcando mais um capítulo numa negociação que já dura vinte anos.
A cerimônia estava prevista para sábado, no Paraná, durante a cúpula do Mercosul. Para seguir adiante, precisava do aval da maioria dos vinte e sete países europeus. Esse apoio, no entanto, não veio. A resistência partiu principalmente de França e Itália, onde agricultores exercem forte pressão contra os termos do acordo.
O novo prazo representa um revés para setores que pressionavam pela conclusão rápida, como a própria Comissão Europeia, Alemanha e Espanha. Enquanto isso, do lado de cá do Atlântico, a espera continua. O tratado promete mudar o jogo comercial para ambos os lados, criando uma das maiores zonas de livre comércio do planeta.
O que está em jogo no acordo
O potencial do acordo é colossal. Ele uniria um mercado de cerca de setecentos e vinte e dois milhões de pessoas. O PIB combinado das duas regiões beira os vinte e dois trilhões de dólares. São números que dão a dimensão do impacto que essa parceria teria na economia global.
Para os europeus, a abertura significaria uma porta mais ampla para exportar produtos com valor agregado. A lista inclui carros, máquinas, vinhos e outras bebidas alcóolicas para os quatro países do Mercosul. Em troca, os sul-americanos teriam acesso facilitado ao mercado europeu para seus produtos agrícolas.
Isso inclui itens como carne bovina, açúcar, mel e soja. A redução de tarifas beneficiaria ambos os lados, mas é justamente esse ponto que gera atrito. Agricultores europeus temem a concorrência com produtos que seguem regras ambientais e sanitárias diferentes.
Os obstáculos políticos do momento
A decisão de adiar veio, em grande parte, da pressão interna em países-chave. O presidente Lula relatou uma conversa com a primeira-ministra italiana. Ela teria dito não ser contra o acordo, mas pediu um prazo, talvez de um mês, para tentar convencer seus produtores rurais.
A França, por sua vez, se mantém como um dos principais opositores. Nos últimos dias, o governo francês trabalhou para angariar apoio de outras nações e postergar a assinatura. O cenário político atual, com protestos no campo, complica qualquer decisão favorável imediata.
Curiosamente, alguns veem o atraso com bons olhos. O ministro Fernando Haddad avaliou que a pausa pode ser positiva. Ela daria um tempo necessário para destravar pontos pendentes e, quem sabe, viabilizar a conclusão definitiva de um tratado tão complexo e aguardado.
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