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Óbitos por malária na terra Yanomami caíram 80% em 2025, diz governo

Os últimos anos foram extremamente difíceis para o povo Yanomami, em Roraima. A invasão do garimpo trouxe, além da violência, um colapso na saúde da comunidade. Doenças como malária e desnutrição se alastraram, criando uma crise humanitária de grandes proporções. Em 2023, a situação era tão grave que o governo declarou uma emergência de saúde pública nacional. O desafio era enorme e urgente.

Agora, um novo informe do Ministério da Saúde traz um sopro de esperança. Os dados mostram que, após dois anos de esforços concentrados, os indicadores começam a apresentar uma melhora significativa. A queda no número de mortes é o sinal mais importante de que as ações estão surtindo efeito no território. Ainda há um longo caminho pela frente, mas os números revelam uma mudança de direção.

Essa virada não aconteceu por acaso. Ela é resultado de uma presença muito maior do Estado na região, com mais profissionais, mais estrutura e um trabalho contínuo. Levar saúde até as aldeias mais remotas foi a estratégia central. A ideia era enfrentar as causas das mortes evitáveis, que tanto atingiam crianças e idosos. Vamos detalhar a seguir os progressos em áreas específicas.

Queda expressiva nas mortes por malária

A malária era uma das maiores ameaças à vida no território. Com o garimpo, os criadouros do mosquito transmissor se multiplicaram. A doença se espalhou rapidamente, sem que houvesse uma estrutura para diagnosticar e tratar as pessoas. A situação começou a mudar com uma estratégia de busca ativa. As equipes de saúde não esperam mais os doentes chegarem. Elas vão até as comunidades procurar por casos.

O número de exames realizados aumentou em 75,9%. Isso significa que muito mais pessoas foram testadas e, se positivo, tratadas rapidamente. O resultado prático é direto: as mortes causadas pela malária caíram 80,8% entre janeiro de 2023 e o fim de 2025. Diagnosticar cedo é a chave para evitar que a doença se agrave. Esse esforço salvou centenas de vidas.

Além dos testes, outras ações ajudaram nesse resultado. A distribuição de mosquiteiros e o trabalho de conscientização sobre prevenção são fundamentais. Controlar a malária é um trabalho diário e permanente. A queda drástica nos óbitos mostra que o combate à doença está no caminho certo, mas a vigilância precisa continuar.

Combate à desnutrição e avanço na vacinação

Outro frente crítica era a desnutrição, que afetava especialmente as crianças. Sem alimentos adequados e com o meio ambiente degradado, a fome se tornou um fantasma. Os óbitos por essa causa caíram 53,2% no mesmo período. Mais importante: o percentual de crianças menores de cinco anos com peso adequado subiu de 45,4% para 53,8%. A desnutrição grave, estado mais perigoso, também recuou.

Isso foi possível porque muito mais crianças passaram a ser acompanhadas regularmente. O monitoramento saltou de 70,1% para 85,1% das crianças. Quando um caso de baixo peso é identificado, as equipes podem agir rápido, com suplementação alimentar e cuidados específicos. É um trabalho de formiguinha que evita tragédias.

Na imunização, o avanço foi claro. O número de doses aplicadas aumentou 40%. O dado mais revelador vem das crianças menores de um ano: o percentual com o esquema vacinal completo mais que dobrou, passando de 27% para 60,6%. Para crianças até cinco anos, a cobertura chegou a 78,3%. Vacinas salvam vidas de doenças conhecidas, permitindo que os esforços se concentrem em outras emergências.

Mais profissionais e infraestrutura no território

Nenhuma dessas melhorias aconteceria sem pessoas no terreno. A força de trabalho em saúde mais que triplicou desde o início da crise. Passou de 690 para mais de 2.130 profissionais. São médicos, enfermeiros, técnicos e agentes indígenas de saúde atuando diretamente nas aldeias. Essa presença constante cria vínculo e confiança com as comunidades.

A infraestrutura também recebeu atenção. Foram feitas 261 intervenções em sistemas de água e instalados mais de 1.400 filtros, garantindo acesso a água segura. A energia solar chegou a 61 locais, permitindo que postos de saúde conservem medicamentos e funcionem com equipamentos. Melhorar a saúde passa por oferecer condições básicas.

Um marco importante foi a reforma do Centro de Referência em Saúde Indígena em Surucucu, dentro do território. Desde a reestruturação, o local realizou milhares de atendimentos e exames. Ele serve como base para 48 comunidades e organiza os casos mais complexos que precisam de remoção. Ter uma estrutura qualificada dentro da terra indígena encurta caminhos e agiliza os cuidados.

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