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Candidatos e governadores do PSD ignoram nas redes lançamento de Caiado à Presidência

Ronaldo Caiado foi lançado pelo PSD como a proposta para acabar com a polarização no país. Mas o primeiro desafio do governador de Goiás não será unir o eleitorado, e sim seu próprio partido. A cúpula da sigla aposta nele, mas a base ainda parece dividida e relutante.

O anúncio da pré-candidatura, em São Paulo, escancarou essa fragilidade. Poucas lideranças de outros estados compareceram ao evento. Nas redes sociais, o silêncio foi quase total entre os 13 pré-candidatos do partido aos governos estaduais. A falta de entusiasmo é um sinal claro dos obstáculos internos.

A estratégia do PSD parece depender agora de um único fator: as pesquisas de intenção de voto. A avaliação nos bastidores é que só um crescimento consistente nas pesquisas traria apoios mais sólidos. Enquanto isso não acontece, cada líder parece seguir seu próprio caminho, olhando para as alianças locais.

Divisão à vista entre os governadores

Dos sete governadores do PSD, a reação ao lançamento de Caiado foi morna. Quatro simplesmente ignoraram o assunto publicamente. Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, que queria ser o candidato, foi direto. Ele gravou um vídeo criticando a decisão, dizendo que ela mantém a polarização que limita o país.

Leite deixou claro seu descontentamento, mas afirmou que não discutirá a decisão. Ele defendeu a construção de um centro liberal democrático de verdade, não de conveniência. Sua fala é um termômetro do ressentimento em uma ala do partido que se vê como a verdadeira representante do centro.

O apoio mais expressivo veio de Ratinho Junior, do Paraná, único governador a divulgar a candidatura. Ele elogiou Caiado como gestor aprovado, com trabalho reconhecido em educação e segurança. Nos bastidores, porém, aliados dizem que o paranaense planeja um palanque duplo, apoiando também Flávio Bolsonaro no estado.

Cada um por seu caminho e a sombra de Lula

Outros governadores já definiram posições contrárias ou neutras. Raquel Lyra, de Pernambuco, trocou o PSDB pelo PSD justamente para se aproximar de Lula e busca apoio do presidente contra o prefeito do Recife. Ela tem aval para ser neutra na disputa nacional.

Fábio Mitidieri, de Sergipe, único governador eleito pelo PSD em 2022 que busca reeleição, já declarou apoio à reeleição de Lula. A decisão visa angariar apoio do presidente entre os eleitores nordestinos. Já Mateus Simões, ex-vice de Minas Gerais, fará campanha para Romeu Zema, do Novo.

A liberdade concedida pelos líderes partidários é estratégica. A avaliação é que a candidatura de Flávio Bolsonaro pode repetir um movimento que fracassou em 2022, levando eleitores a buscar uma terceira via. Por isso, permitem que seus governadores sigam aliados locais fortes.

A difícil tarefa de costurar um palanque nacional

A divisão se repete entre os pré-candidatos a governador. No Amazonas, o senador Omar Aziz é próximo de Lula. No Rio, Eduardo Paes concorre em aliança com o PT, mesmo tentando atrair votos de direita. O prefeito de Chapecó, João Rodrigues, que defendia Ratinho, também se manteve em silêncio.

No Congresso, a situação é similar. Os dois líderes do PSD são próximos ao PT. O deputado Antonio Brito estava em agenda em Salvador no dia do anúncio. A senadora Eliziane Gama ignorou o lançamento, mas havia postado foto com Lula dias antes. A coordenação de um palanque nacional será complexa.

Caiado minimizou a baixa adesão no evento de São Paulo, alegando que a entrevista foi marcada às pressas. Ele promete buscar pessoalmente o apoio de Leite e outros descontentes. Afirmou que sua pré-candidatura é fruto de conversas coletivas, mas o trabalho para transformar discurso em união real mal começou.

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