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Ao menos 24 tipos de vírus foram transportados entre laboratórios em furto na Unicamp

A tranquilidade de um dos principais centros de pesquisa do país foi abalada por um caso no mínimo incomum. Na Universidade Estadual de Campinas, uma investigação revelou o sumiço de dezenas de amostras de vírus de um laboratório de alta segurança. O fato levantou preocupações imediatas sobre biossegurança e os motivos por trás da ação.

As amostras foram levadas de um ambiente classificado como NB-3, um dos níveis mais restritivos para manipulação de agentes biológicos. Esse tipo de laboratório é projetado para trabalhar com materiais que oferecem risco à saúde pública. O desaparecimento só foi percebido quando uma pesquisadora notou a falta de várias caixas no início de fevereiro.

As investigações apontaram rapidamente para um casal de pesquisadores. Eles são a professora Soledad Palameta Miller e seu marido, Michael Edward Miller. Imagens de segurança mostraram os dois acessando o laboratório em horários atípicos, inclusive quando o local estava vazio. A movimentação suspeita chamou a atenção das autoridades internas.

O que foi levado e os riscos envolvidos

A lista de materiais subtraídos é extensa e preocupante. Entre os itens estavam cepas dos vírus da dengue, chikungunya e zika, conhecidos por causarem grandes surtos no Brasil. Também havia amostras de coronavírus humano, herpes, Epstein-Barr e vários vírus que infectam animais. Foram identificadas ao menos 24 cepas diferentes nesse transporte irregular.

O destino dessas amostras foi outro laboratório da universidade. Parte do material foi encontrada pela Polícia Federal em um biofreezer da Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde Soledad trabalha. Após as buscas, a professora teria ido a outro local e descartado itens, além de alterar rótulos das amostras restantes.

A direção do Instituto de Biologia foi enfática ao afirmar que não há risco generalizado de contaminação. Os vírus, enquanto mantidos congelados e em recipientes vedados, permanecem inativos. O perigo real estaria na manipulação inadequada ou no descarte incorreto desse material biológico, que poderia causar acidentes.

A investigação e o desfecho atual

O caso seguiu um trâmite rápido dentro da universidade. A diretoria do instituto foi informada no início de março e, em dez dias, o assunto chegou à reitoria. Dada a gravidade, a Unicamp acionou a Anvisa e a Polícia Federal. As autoridades trataram o assunto como uma questão de biossegurança nacional.

As buscas policiais ocorreram no campus e na casa dos pesquisadores. Nada foi encontrado na residência do casal. A universidade emitiu uma nota tratando o episódio como um caso isolado, resultado de circunstâncias atípicas. A instituição reforçou que seus protocolos de segurança são rigorosos e foram acionados conforme o previsto.

Soledad Palameta Miller chegou a ser presa e levada para a penitenciária feminina de Mogi Guaçu. No entanto, ela já deixou a prisão, conforme informado pela Polícia Federal. As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes e os possíveis motivos por trás da retirada não autorizada do material.

O perfil da pesquisadora envolvida

Soledad é uma pesquisadora argentina com uma trajetória acadêmica sólida. Ela é biotecnologista formada em seu país e doutora pela própria Unicamp. Desde 2025, atua como professora doutora na Faculdade de Engenharia de Alimentos da universidade, coordenando seu próprio laboratório.

Suas linhas de pesquisa são diretamente relacionadas ao caso. Ela trabalha com o desenvolvimento de diagnósticos e terapias para vírus transmitidos por alimentos e água. Seu currículo inclui projetos com vírus respiratórios e estudos para estabelecer linhagens celulares de morcegos para pesquisa.

A atuação profissional da pesquisadora torna o caso ainda mais curioso. Seu conhecimento especializado sobre vírus é amplo e reconhecido. Esse contexto deixa uma grande interrogação sobre o que poderia ter motivado uma cientista experiente a tomar tal atitude, violando protocolos de segurança que ela mesma deveria zelar.

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