Um vídeo que circula nas redes sociais tem causado forte repercussão. Nele, crianças uniformizadas aparecem cantando versos agressivos sobre espancar e matar inimigos. As imagens foram divulgadas por um vereador de Florianópolis, que as identificou como parte das atividades de uma escola preparatória militar.
A situação levantou um debate importante sobre os limites da formação voltada para menores. Muitos se perguntam que tipo de valores estão sendo transmitidos. O caso vai além de uma simples cantoria, tocando em pontos sensíveis sobre violência e educação.
A seguir, vamos entender melhor o que aconteceu, o que diz a denúncia e como funcionam esses cursos. É um tema que mistura disciplina infantil, regulação de ensino e a nossa percepção sobre o que é adequado para crianças.
A denúncia e o conteúdo do vídeo
O parlamentar Bruno Ziliotto foi quem levou o caso ao conhecimento público. Ele registrou uma denúncia no Ministério Público de Santa Catarina, alegando apologia à violência. O vídeo mostra crianças e pré-adolescentes cantando frases que descrevem agressões físicas extremas.
Para o vereador, a cena é grave e preocupante. Ele destaca que se trata de crianças que deveriam estar em outras atividades, não aprendendo sobre espancamento. A naturalização desse discurso violento, em sua visão, reflete um problema social maior.
A escola envolvida é a Unibe Escola Pré-Militar, que oferece preparação para carreiras militares. Embora o site informe atender jovens de 14 a 17 anos, as imagens sugerem a participação de crianças com idade claramente inferior. A instituição foi contactada, mas não se pronunciou sobre o fato.
As atividades e a polêmica do "Desafio Mirim"
Nas redes sociais da escola, é possível encontrar registros de atividades com crianças pequenas. Uma confraternização em dezembro de 2025 usava a hashtag #desafiomirim. A legenda mencionava "brincadeiras e treinamento", mostrando os menores em posição de sentido.
Outro vídeo, de novembro do mesmo ano, exibia uma atividade com material bélico. Nele, as crianças confeccionavam simulações de granadas com tinta. A legenda defendia a ação como educativa, para entender que certos equipamentos servem para proteger o país.
A proposta do "Desafio Mirim" é voltada para crianças entre 5 e 10 anos, com o objetivo de "gastar energia". A escola lista conteúdos como primeiros socorros, coordenação motora, liderança e disciplina. A linha entre atividade lúdica e adestramento, porém, parece tênue.
A questão legal e a regulamentação
Do ponto de vista legal, a conduta pode se enquadrar em crimes como incitação ao delito ou corrupção de menores. O Estatuto da Criança e do Adolescente é claro ao proteger os menores de conteúhos inadequados. A discussão é saber se houve ultrapassagem desses limites.
Cursos livres, como os preparatórios, possuem uma regulamentação específica. Eles não precisam de autorização do Ministério da Educação ou das secretarias de ensino. Isso significa que a oferta é livre, mas os certificados não garantem inserção em carreiras regulamentadas.
A empresa por trás da escola tem seu CNPJ cadastrado na área de "treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial". No portal Reclame Aqui, há queixas recentes de propaganda enganosa. Consumidores relatam que o treinamento gratuito prometido não seria concretizado.
O estado de Santa Catarina mantém programas de escolas cívico-militares e de policiais nas escolas. São iniciativas diferentes, porém, dos cursos livres preparatórios. O caso das crianças cantando hinos violentos segue em análise, enquanto a conversa sobre educação e violência ganha mais um capítulo.
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