O cenário financeiro de Brasília vive dias de tensão. A crise no Banco de Brasília, o BRB, tomou uma dimensão que exigiu uma medida extrema do governo local. Nos últimos instantes de sua gestão, o então governador Ibaneis Rocha formalizou um pedido de ajuda bilionário para tentar estancar o prejuízo.
A solicitação é de um empréstimo de quatro bilhões de reais ao Fundo Garantidor de Créditos. O objetivo é injetar capital no banco público e garantir que ele continue operando normalmente. A situação ficou crítica após uma série de investimentos problemáticos do BRB em outra instituição financeira.
Para conseguir esse crédito, o governo ofereceu um conjunto valioso de bens públicos como garantia. A lista inclui ações de empresas estaduais, como a Caesb e a CEB, e até mesmo nove imóveis oficiais. É o patrimônio do cidadão sendo usado como lastro para cobrir uma dívida de risco.
A origem do problema
A raiz de toda essa turbulência está em uma parceria desastrosa. O BRB se envolveu profundamente com o Banco Master, que faliu no ano passado. Investigações apontam que o banco público comprou mais de doze bilhões de reais em créditos considerados irregulares da instituição privada.
Esse movimento fez a carteira de empréstimos do BRB crescer de forma explosiva em pouco tempo. O problema é que uma fatia enorme desses novos ativos, mais de vinte por cento, estava ligada ao Master. Quando o banco privado quebrou, esse valor simplesmente evaporou, deixando um buraco nas contas.
O tamanho do prejuízo não para de aumentar. As primeiras estimativas falavam em cerca de dois bilhões e meio. Agora, o próprio governo admite que a necessidade de provisionamento pode chegar a quase nove bilhões. Uma auditoria independente chega a apontar um impacto potencial de mais de treze bilhões.
As garantias em jogo
A proposta de empréstimo tem condições específicas. Ela prevê um ano e meio de carência antes do início dos pagamentos, que seriam semestrais. A taxa de juros seguiria o CDI, com um spread adicional a ser definido pelo FGC. A operação, no entanto, depende totalmente das garantias oferecidas.
Parte desses bens, porém, já está sob questionamento. Um dos terrenos colocados como garantia, na Serrinha do Paranoá, teve seu uso suspenso pela Justiça. Essa pendência legal complica o aceite da proposta, embora ainda caiba recurso sobre a decisão.
A estratégia de empenhar imóveis e participações em empresas públicas gera desconfiança. Parlamentares e movimentos sociais veem a manobra como uma forma de transferir a conta da crise para o patrimônio coletivo. Eles argumentam que a população não pode arcar com os custos de uma má gestão.
O legado da crise
A saída de Ibaneis Rocha do governo para concorrer ao Senado deixou o problema nas mãos de seus sucessores. O pedido de empréstimo foi uma das últimas ações oficiais antes da renúncia. Agora, a nova administração terá que lidar com as consequências desse passivo milionário.
A operação com o Banco Master é alvo de apuração da Polícia Federal. Daniel Vorcaro, controlador do Master, foi preso novamente neste mês. As investigações seguem para apurar possíveis irregularidades na venda dos créditos problemáticos ao banco público.
O futuro do BRB depende da aprovação desse socorro financeiro. Sem o reforço de capital, a instituição pode enfrentar sérias dificuldades para manter sua liquidez. A população aguarda para ver se o patrimônio público será, de fato, usado para pagar essa conta. Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no site Clevis Oliveira.
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