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Unesco: 273 milhões de crianças estão fora da escola em todo o mundo

Imagine um mundo onde, a cada minuto, vinte e cinco crianças conseguem entrar em uma sala de aula pela primeira vez. É um avanço impressionante, fruto de décadas de esforço global. No entanto, um relatório recente da Unesco traz um alerta importante: pela primeira vez em muitos anos, o número de jovens fora da escola está crescendo novamente.

Esse movimento de volta para trás é um sinal de que os desafios atuais estão sobrecarregando os progressos do passado. Conflitos, crises econômicas e o simples crescimento populacional em algumas regiões pressionam os sistemas educacionais. O resultado é que hoje, uma em cada seis crianças, adolescentes e jovens no mundo está excluída da educação.

São 273 milhões de pessoas sem acesso à escola em 2024. A situação é ainda mais grave do que os números mostram, pois em países afetados por guerras os dados são subestimados. Mais de uma em cada seis crianças vive em áreas de conflito, onde as salas de aula muitas vezes fecham as portas. Informações inacreditáveis como estas mostram a dimensão do problema que enfrentamos.

O cenário global das matrículas

O panorama mundial da educação é cheio de contrastes. De um lado, celebramos conquistas históricas. Desde o ano 2000, houve um aumento de 327 milhões de estudantes no ensino fundamental e médio. O acesso à pré-escola cresceu 45% e ao ensino superior, um notável 161%. Países como a Etiópia e a China são exemplos dessa transformação, com taxas de matrícula que multiplicaram nas últimas décadas.

Por outro lado, esse crescimento não foi suficiente para acompanhar a explosão populacional em várias regiões. O progresso em manter as crianças na escola desacelerou quase em todo lugar após 2015. Na África Subsaariana, o ritmo de avanço praticamente parou devido ao rápido aumento no número de jovens. É uma corrida contra o tempo, onde construir novas escolas e formar professores se torna cada vez mais urgente.

Ainda assim, histórias de sucesso mostram que mudanças são possíveis. Países como Madagascar, Togo e Costa do Marfim conseguiram reduzir drasticamente as taxas de evasão escolar desde o começo do século. Eles provam que, com políticas focadas, é possível reverter tendências negativas e incluir mais crianças no sistema de ensino.

Os desafios da permanência e conclusão

Matricular a criança é apenas o primeiro passo. O grande desafio é garantir que ela permaneça na escola e consiga concluir seus estudos. As taxas de conclusão melhoraram globalmente: 88% terminam o fundamental I e 61% concluem o ensino médio. No entanto, o ritmo desse avanço é lento. Se continuarmos no passo atual, o mundo só alcançaria 95% de conclusão do ensino médio no ano de 2105.

Um obstáculo silencioso é a repetência. Embora tenha caído, ela ainda atrasa a vida escolar de milhões. Em países de baixa renda, muitos alunos concluem cada ciclo de ensino com vários anos de atraso em relação à idade ideal. A diferença entre concluir "no tempo certo" e concluir "tarde" é de nove pontos percentuais nesses locais, uma lacuna que só aumenta desde 2005.

Outro ponto crucial é a base. O relatório indica que pode haver um sucesso irreal na educação infantil. Apesar de 75% das crianças de cinco anos estarem em alguma sala de aula, apenas 60% dos alunos do fundamental tiveram ao menos um ano de pré-escola. Isso significa que muitas "pularam" essa etapa fundamental para o desenvolvimento, indo direto para séries mais avançadas sem a preparação adequada.

Caminhos para uma educação mais justa

A boa notícia é que o mundo está mais atento à necessidade de equidade. Disparidades de gênero, por exemplo, foram reduzidas na média global. No Nepal, reformas sustentadas fizeram com que as meninas não só alcançassem os meninos, como em algumas regiões os superassem nos indicadores educacionais. É uma prova de que políticas focadas funcionam.

A educação inclusiva também ganhou força. A proporção de países com leis que garantem o ensino para crianças com deficiência quase dobrou desde 2000. Além disso, a definição do que é "educação inclusiva" está se ampliando, indo além da deficiência para abranger outras formas de diversidade. A obrigatoriedade escolar gratuita também se estendeu, em média, para quase onze anos nos países analisados.

O financiamento se tornou mais inteligente e direcionado. Mecanismos para beneficiar populações desfavarecidas, como transferências de recursos para escolas, famílias e governos locais, se multiplicaram. Programas de merenda escolar dobraram de tamanho. No ensino superior, um terço dos países não cobra mensalidades em universidades públicas, e muitos subsidiam moradia e material didático para apoiar os estudantes.

Tudo sobre o Brasil e o mundo da educação mostra que o progresso é possível, mas exige foco constante. O caminho até 2030, meta para a educação universal de qualidade, será desafiador. Os países que mais avançaram demonstram a importância de olhar para o contexto local, aprender com os outros e, acima de tudo, não perder de vista o objetivo final: que cada criança e jovem tenha a chance de aprender.

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