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Doador de Tarcísio e Bolsonaro teria recebido R$ 485 mi de empresa investigada no caso Master

Um grande doador de campanhas políticas recebeu centenas de milhões de reais de uma empresa que está no centro das investigações da Polícia Federal. Os repasses, que somam quase meio bilhão, ocorreram em um período curto e levantam questões sobre a origem e o destino desse dinheiro.

As informações, reveladas por um grande jornal, mostram que os valores foram transferidos entre julho de 2022 e janeiro deste ano. Somente nos primeiros meses de 2025, o montante ultrapassou a marca de cento e sessenta milhões de reais. As movimentações financeiras chamam a atenção pelo volume e pela frequência com que aconteceram.

O receptor desses recursos é Fabiano Zettel, pastor evangélico e cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ele é uma figura-chave nas apurações, citado como operador de pagamentos dentro do esquema. A polícia analisa mensagens trocadas entre os dois com ordens diretas para transações financeiras.

Quem é o pastor e doador milionário

Fabiano Zettel ficou nacionalmente conhecido por ser o maior doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022. Ele desembolsou cinco milhões de reais ao todo, três para a campanha à presidência e dois para o governo de São Paulo. Os valores só não foram maiores que as verbas oficiais dos partidos.

Além da atuação religiosa, Zettel é um empresário do setor financeiro. Ele é fundador de um fundo de investimentos que atua no mercado de empresas não listadas na bolsa. Seu vínculo familiar com Vorcaro, casado com sua irmã, o coloca no epicentro do caso investigado pela Operação Compliance Zero.

Por seu suposto papel no esquema, ele teve a prisão preventiva decretada na mesma fase que o cunhado. As investigações apontam que Zettel intermediou e operacionalizou pagamentos ligados a atividades ilegais. A relação entre as doações políticas e os vultosos repasses que recebeu é um dos pontos analisados.

O papel central da Super Empreendimentos

A Super Empreendimentos não é uma empresa comum. Segundo a Polícia Federal, ela foi uma peça fundamental na engenharia financeira para movimentar recursos desviados do Banco Master. A empresa teria tomado empréstimos fraudulentos do banco para alimentar todo o esquema.

O dinheiro seguia um ciclo: os financiamentos irregulares eram vendidos para fundos de investimento, limpando o balanço do Master. Depois, os recursos retornavam ao banco através da compra de CDBs. Essa máquina movimentou centenas de milhões e financiou desde bens até uma rede de pressão contra adversários.

A empresa também foi usada para pagamentos ilícitos a ex-funcionários do Banco Central, que atuavam como consultores privados de Vorcaro. Em decisão no Supremo Tribunal Federal, o ministro relator do caso detalhou que eles recebiam propina por serviços relacionados à fiscalização do próprio banco.

Os vínculos com o poder e os bens de luxo

A casa de trinta e seis milhões de reais em Brasília, onde Vorcaro recebia políticos, está no nome da Super Empreendimentos. Senadores e deputados foram visitar o banqueiro nesse endereço luxuoso. O imóvel se tornou um símbolo da conexão entre o esquema financeiro e figuras públicas.

O ex-banqueiro declarou à Receita Federal pagamentos de sessenta e oito milhões de reais à Super em 2023. Os valores quitaram dívidas de Vorcaro com a empresa na compra de imóveis e outros investimentos. Tudo isso com dinheiro que, segundo as investigações, veio de desvios.

O ministro André Mendonça determinou a suspensão das atividades da empresa. Ele afirmou que a Super foi usada para pagar um grupo encarregado de monitorar e pressionar pessoas ligadas às apurações. O caso expõe como estruturas empresariais podem ser usadas para finalidades completamente diferentes das legais.

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