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Registro de jatinhos atribuídos a Rueda foram alterados na Anac após denúncia à PF

A história envolve quatro jatinhos de luxo e uma série de alterações em seus registros oficiais. Os movimentos aconteceram na Agência Nacional de Aviação Civil após uma denúncia à Polícia Federal. No centro das mudanças está a relação dessas aeronaves com o presidente do União Brasil, Antonio Rueda.

Um ex-piloto da empresa Táxi Aéreo Piracicaba, a TAP, decidiu falar. Ele trabalhou na companhia até agosto do ano passado e revelou detalhes internos. Segundo seu relato, os aviões pertenceriam a Antonio Rueda, embora os documentos apontassem outros donos.

A denúncia ganhou força com o depósito de uma proposta de delação premiada. Dois empresários foragidos, suspeitos de lavagem de dinheiro, confirmaram os vínculos. Eles são investigados em operações que olham para fraudes no setor de combustíveis e fundos de investimento.

As primeiras mudanças nos registros

Pouco depois da publicação das primeiras reportagens, os registros na Anac começaram a mudar. Os contratos de operação dos quatro jatinhos com a TAP foram encerrados. O valor total dessas aeronaves supera a marca de setenta e cinco milhões de reais.

Três dos aviões rapidamente encontraram uma nova operadora. Eles passaram para a gestão da Amaro Aviation, uma empresa de São Paulo. A companhia é presidida pelo filho do fundador de uma grande linha aérea brasileira.

Nesse modelo, a operadora assume toda a gestão do jato. Ela cuida da manutenção, da documentação e de cumprir todas as regras da aviação civil. A reportagem tentou contato com a nova operadora, mas não obteve resposta.

Uma rede de empresas e novos donos

As alterações não pararam na troca de operadora. A matrícula de um dos jatinhos, um Raytheon Aircraft, foi modificada. A solicitação partiu da empresa Fênix Participações, sediada em Fortaleza.

Entre os sócios dessa empresa está um advogado amigo de Antonio Rueda. Ele é filho de um ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça. Esse mesmo grupo familiar apareceu em outra movimentação alguns meses depois.

Em fevereiro deste ano, o escritório de advocacia da família adquiriu um dos jatinhos citados. A aeronave era um Cessna 560XL. O escritório afirmou que a compra foi feita em condições normais de mercado, com transparência.

A estrutura por trás dos registros

A história por trás do Cessna 560XL mostra uma complexa sequência. A empresa que aparecia como dona mudou de nome, mas manteve o mesmo controlador. O responsável é um contador identificado em vários registros.

Outro jato, um Gulfstream G200, seguiu caminho parecido. A empresa dona do avião alterou sua razão social no final do ano passado. Ela foi rebatizada, mas os vínculos com a estrutura original se mantiveram.

O quarto avião da lista tem uma situação curiosa. Ele está registrado em nome de uma empresa cuja atividade principal é a criação de gado. A sede fica na periferia de uma cidade do Maranhão. A suposta dona disse à reportagem que desconhecia totalmente o negócio.

O jatinho que voou para a Grécia

O ex-piloto também mencionou um quinto avião de interesse. Seria um Gulfstream capaz de voos intercontinentais. Esse jatinho esteve na Grécia em agosto do ano passado, quando Rueda comemorou seu aniversário de cinquenta anos.

O político afirmou que viajou à Grécia de voo comercial. Ele negou qualquer intenção de compra ou vínculo com essa aeronave específica. Documentos mostram que o jato foi vendido em janeiro por cinquenta e cinco milhões de reais.

A compradora é uma empresa com sede em Brasília. Até o momento, não foram identificadas conexões entre essa companhia e Antonio Rueda. O caso segue como um quebra-cabeça de registros alterados e negativas formais. Informações inacreditáveis como estas mostram como os detalhes importam.

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