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MP abre inquérito para apurar conduta de ex-delegado-geral de SC no caso Orelha

O Ministério Público de Santa Catarina decidiu abrir uma investigação sobre a conduta do ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel. O caso gira em torno das apurações sobre a morte do cachorro comunitário conhecido como Orelha, em Florianópolis. A promotoaria responsável pelo controle externo da polícia quer verificar se houve algum desvio de conduta por parte da autoridade.

O inquérito civil foi instaurado na última sexta-feira e vai apurar pontos específicos. As suspeitas incluem possível abuso de autoridade, vazamento de informações sigilosas da investigação e até atos de improbidade administrativa. Ulisses Gabriel tem um prazo de quinze dias para apresentar sua defesa perante o Ministério Público.

A polícia civil, por sua vez, já se manifestou através de uma nota. A instituição afirmou que as investigações ocorreram com total respeito à autonomia dos delegados que estavam à frente do caso. O foco agora está nas mãos dos promotores, que analisam as representações recebidas contra o ex-delegado-geral.

O que está sendo investigado na atuação do delegado

O núcleo da apuração do Ministério Público são as ações de Ulisses Gabriel durante as investigações da morte do animal. Embora não fosse o responsável direto pelo inquérito, sua atuação como delegado-geral levantou questionamentos. A promotoaria também pediu medidas complementares à polícia, citando possíveis inconsistências no andamento do caso.

Ulisses já não ocupa mais o cargo de delegado-geral. Ele deixou a função no início de março, pois precisou se desincompatibilizar para seguir na carreira política. Agora, o foco está em examinar sua conduta durante o período em que comandou a polícia civil catarinense.

As investigações sobre o cachorro Orelha eram conduzidas por outros dois delegados, especializados em crimes envolvendo adolescentes e maus-tratos animais. A apuração do MP vai tentar entender se houve interferência indevida do então chefe da corporação no trabalho desses profissionais.

Os detalhes do triste caso do cachorro Orelha

Tudo começou no dia 5 de janeiro, em Florianópolis. O cão comunitário Orelha foi encontrado gravemente ferido após um suposto ataque na madrugada anterior. Moradores locais conseguiram resgatá-lo, mas os ferimentos eram tão graves que o animal não resistiu e morreu em uma clínica veterinária.

A polícia civil seguiu com as investigações e, com base em imagens de vídeo, identificou um adolescente como suspeito. As imagens mostram um jovem saindo de um condomínio por volta das cinco e meia da manhã. O período coincide com o horário estimado da agressão ao animal.

A defesa do adolescente, no entanto, nega veementemente qualquer envolvimento. Eles afirmam que não existem provas concretas ligando o jovem ao crime e criticam a onda de desinformação que tomou as redes sociais. As famílias dos envolvidos relatam ter sofrido ameaças e exposição de dados pessoais.

A situação política do ex-delegado-geral

Ulisses Gabriel comandou a polícia de Santa Catarina desde o início do governo Jorginho Mello. Sua saída do cargo, em março, já era esperada por motivos legais. Para concorrer às eleições, ele precisou se afastar da função pública, como manda a lei.

Sua movimentação política tem sido intensa. No último domingo, ele oficializou sua filiação ao PL em um evento que contou com a presença do governador do estado. A intenção é concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa catarinense.

Além disso, o ex-delegado já declarou publicamente seu alinhamento político. Em suas redes sociais, expressou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e às pré-candidaturas ao senado de Carlos Bolsonaro e Caroline De Toni. Sua trajetória agora segue no campo da política partidária.

As incógnitas que permanecem no caso

Mesmo com o inquérito do MP em andamento, dúvidas importantes persistem. Um laudo pericial realizado após a exumação do corpo do cachorro Orelha não conseguiu determinar a causa precisa da morte. O documento, no entanto, também não afastou a possibilidade de o óbito ter sido causado por um trauma.

Esse ponto técnico deixa em aberto parte da discussão sobre as evidências. Enquanto isso, a investigação criminal original, que pedia a internação do adolescente, segue seu curso na justiça. São dois processos distintos, um criminal e outro administrativo, que correm em paralelo.

O desfecho de ambas as apurações ainda deve levar algum tempo. Enquanto isso, o caso segue gerando discussão sobre maus-tratos animais, a atuação das autoridades e o impacto da exposição nas redes sociais na vida de todos os envolvidos. Informações complexas como estas, você acompanha aqui no site.

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