A CPI do Crime Organizado no Senado está prestes a mergulhar em um material explosivo. Nesta semana, os senadores devem começar a analisar documentos sigilosos de uma figura central no caso. O alvo é Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”.
Ele era apontado como chefe de um grupo miliciano que agia sob ordens de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O banqueiro está preso em Brasília, acusado de fraudes bilionárias e de comandar uma organização criminosa. A situação tomou um rumo trágico com a morte de Mourão.
Preso pela Polícia Federal em Belo Horizonte no início de março, ele tentou se enforcar nas dependências da superintendência. Apesar dos socorros e da remoção para um hospital, sua morte foi confirmada no dia seguinte. O caso ganhou novos contornos com a quebra de sigilos aprovada pela CPI.
A corrida pela documentação sigilosa
A comissão aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de “Sicário” e de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. O relator, senador Alessandro Vieira, espera receber toda a papelaria da Polícia Federal em até 48 horas. A análise deve ser acelerada com a chegada de mais peritos federais para examinar os dados.
Enquanto isso, um pedido para quebrar o sigilo de João Roma, ex-ministro da Cidadania, foi considerado insuficiente em sua fundamentação. O relator defende que esse tipo de requisição precisa ser muito bem justificada e individualizada. A proposta foi retirada de pauta para que o autor, senador Humberto Costa, possa reformulá-la.
O requerimento citava supostas ligações de Roma com investigados do caso Master, como o próprio Vorcaro e Augusto Lima, dono do Banco Pleno. A conexão se daria através de Ronaldo Bento, que sucedeu Roma no ministério e já foi diretor do Banco Pleno. Ambos os bancos, Master e Pleno, foram alvo de pedido de liquidação pelo Banco Central.
As doações milionárias e as conexões políticas
Fabiano Zettel não é apenas um familiar do banqueiro. Empresário e pastor de uma igreja em Belo Horizonte, ele entrou para a história eleitoral como o sexto maior doador em 2022. Como pessoa física, foi quem mais contribuiu para a campanha de Jair Bolsonaro, com três milhões de reais.
Ele também doou dois milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo. Zettel foi detido pela primeira vez em janeiro, quando tentava viajar para Dubai em um jatinho. Preso novamente em março, ele permanece atrás das grades na terceira fase da Operação Compliance Zero.
As revelações do caso Master iluminam relações delicadas no Congresso. O senador Ciro Nogueira é citado por Daniel Vorcaro como um “grande amigo de vida”. Em 2024, o parlamentar apresentou uma emenda que, na prática, beneficiaria bancos como o Master, mas pressionaria o Fundo Garantidor de Créditos.
A proposta, que não foi adiante, aumentaria o limite de cobertura do FGC de 250 mil para um milhão de reais. Em conversas, Vorcaro comemorou a iniciativa, chamando-a de “bomba atômica no mercado financeiro”. A data da proposta no Senado coincide com a da mensagem do banqueiro.
As suspeitas que chegam ao Supremo
O caso ganha contornos ainda mais complexos ao envolver ministros do Supremo Tribunal Federal. Segundo reportagens, Alexandre de Moraes teria trocado mensagens com Daniel Vorcaro horas antes da primeira prisão do banqueiro. O ministro nega a participação na conversa.
Já as ações do ministro Dias Toffoli na relatoria do caso geraram grande polêmica. Ele tomou decisões que paralisaram as investigações, indo contra procedimentos padrão da Polícia Federal. Toffoli designou peritos específicos e determinou que todo material apreendido ficasse sob custódia do STF.
A situação se complica com a revelação de que a família de Toffoli é sócia de um resort. Investimentos milionários de fundos ligados ao Banco Master e a Fabiano Zettel aplicaram milhões na compra de partes desse empreendimento, negociada com os irmãos do ministro.
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