O mês de março é decisivo para as Yaras, nossa seleção feminina de rugby. Elas enfrentam as últimas etapas da segunda divisão do circuito mundial de sevens, a versão olímpica do esporte. A classificação para a elite está em jogo, primeiro em Montevidéu, nos dias 21 e 22, e depois em São Paulo, no fim de semana seguinte.
O time brasileiro carrega uma grande esperança: a atleta Thalia Costa. A maranhense de 28 anos é uma estrela de renome mundial. Na última temporada, ela foi eleita para o “Time dos Sonhos” global, ao lado de jogadoras de potências como Nova Zelândia e Austrália.
Ela ocupa a 14ª posição no ranking histórico de pontuadoras do circuito, com 127 tries marcados. Só na temporada passada, foram 29, sendo a terceira maior artilheira. Sua trajetória mostra a força do rugby brasileiro no cenário internacional.
A velocidade que vem do atletismo
O trunfo principal de Thalia é a sua velocidade explosiva. Em campo, ela supera facilmente os 30 quilômetros por hora. Essa habilidade tem raízes no atletismo, onde ela corria provas de 100 e 200 metros, muitas vezes descalça em pistas de pedra brita.
A técnica da seleção, a neozelandesa Crystal Kaua, faz uma analogia curiosa. Ela compara Thalia a uma motocicleta pequena e veloz de São Paulo, capaz de encontrar e explorar os espaços na defesa adversária repetidamente. A jogadora combina agilidade com uma resistência física notável.
A transição para o rugby aconteceu em 2017. Dois anos depois, veio a convocação para as Yaras e a mudança para São Paulo, onde o time treina. A distância da família é amenizada pela presença constante de sua irmã gêmea, Thalita, que também defende a seleção brasileira.
Irmã gêmea e inspiração em campo
Thalita, dois minutos mais nova, vê na irmã uma fonte de inspiração. Ela conta que a garra e a força de Thalia para realizar seus sonhos a motivaram a persistir no esporte. A decisão de seguir no rugby veio em um momento de dúvidas sobre o futuro, mostrando como uma pode influenciar a outra.
“Sempre fizemos tudo juntas. Então, é um privilégio muito grande tê-la como irmã e inspiração”, disse Thalita. Juntas em campo, elas formam uma dupla poderosa, compartilhando não apenas o sangue, mas também a paixão pelo jogo e a representação do Brasil.
A temporada de 2025 levou Thalia a uma nova experiência: jogar no exterior. Ela e a companheira de seleção Gabriela Lima defenderam o clube Mie Pearls, no Japão. Foi a primeira vez que Thalia atuou por um time estrangeiro, uma oportunidade que surgiu e foi abraçada.
Experiência no Japão e foco no desafio atual
A atleta confessou que nunca havia pensado em sair do Brasil para jogar rugby, mas a chance de conhecer o Japão e sua cultura foi irresistível. A adaptação foi surpreendentemente fácil, mesmo com a barreira do idioma. O time fez história, conquistando etapas inéditas para o clube.
“Foi incrível. Tanto que quero voltar!”, afirmou Thalia. Agora, porém, seu foco total está no desafio imediato. O Brasil precisa da melhor versão dela e do time para conquistar a almejada promoção à primeira divisão mundial durante as etapas de Montevidéu e São Paulo.
A campanha na segunda divisão começou com um resultado abaixo do esperado em Nairobi, onde as Yaras ficaram na última colocação. O time passou por uma renovação, com a entrada de jogadoras mais jovens, um processo que Thalia vê com otimismo e responsabilidade.
Ela se sente no dever de ajudar nessa transição para que seja a melhor possível. A artilheira, que já representou o Brasil em duas Olimpíadas e conquistou bronze nos Pan-Americanos de 2023, acredita na conexão do grupo. “Coisas boas estão por vir”, projeta, confiante no trabalho que está sendo construído.
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