O processo de extradição da ex-deputada Carla Zambelli sofreu um novo adiamento na Justiça italiana. A Corte de Apelação de Roma adiou o julgamento para o dia 20 de janeiro, atendendo a um pedido da defesa. Os advogados solicitaram mais tempo para analisar documentos enviados pelo Brasil sobre as condições da prisão que ela deve ocupar.
Essa foi a terceira vez que a sessão foi remarcada desde o fim de novembro. Os atrasos anteriores ocorreram por uma greve de advogados e pela análise de novos documentos. A expectativa é que todo o trâmite de extradição só seja concluído no primeiro semestre de 2026.
Zambelli participou pessoalmente da audiência desta quinta-feira. Ela está detida no complexo penitenciário de Rebibbia, em Roma, há quase cinco meses. A defesa agora pediu que a ex-parlamentar passe o Natal em prisão domiciliar na Itália, um pedido que a corte ainda vai analisar.
O longo caminho até uma decisão
O julgamento em janeiro vai avaliar se há condições legais para atender ao pedido brasileiro de extradição. Após essa primeira decisão, as partes ainda poderão apresentar recursos em várias instâncias. O processo, portanto, deve se estender por muitos meses.
O Ministério Público italiano já se declarou favorável ao pedido do Brasil. A posição foi formalizada em um documento enviado ao tribunal no mês de outubro. Do outro lado, a defesa de Zambelli alega que ela é vítima de perseguição política por parte do Supremo Tribunal Federal.
Enquanto isso, a ex-deputada aguarda na prisão. Ela foi presa no fim de julho, depois de passar cerca de dois meses foragida. A prisão ocorreu em solo italiano, onde ela acreditava que sua cidadania local a tornaria “intocável”.
Os crimes que motivam o pedido
O processo de extradição reúne duas condenações contra a ex-parlamentar. A primeira, e mais grave, é uma pena de dez anos de prisão pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça. O crime inclui a emissão de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
A segunda condenação é de cinco anos de detenção. Ela foi aplicada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. A sentença foi proferida quando Zambelli já estava na Itália, após uma passagem pela Argentina e pelos Estados Unidos.
A decisão sobre onde ela cumprirá a pena no Brasil já existe. Em despacho, o ministro Alexandre de Moraes indicou que o local será a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a Colmeia. A unidade é de segurança média.
Os desdobramentos políticos no Brasil
Enquanto o caso tramita na Itália, ele segue gerando repercussão no Brasil. Recentemente, o plenário da Câmara poupou Zambelli da cassação do mandato, uma decisão que contrariou determinação do STF. O Supremo, então, derrubou a decisão da Casa.
Três dias depois desse episódio, no último domingo, a própria ex-deputada renunciou ao seu mandato. A medida encerra a questão no âmbito do Congresso, mas não interfere no andamento do processo penal e no pedido de extradição.
Agora, os holofotes se voltam para a Justiça italiana e sua decisão de janeiro. O próximo capítulo desse longo processo está marcado para as primeiras semanas do novo ano.
Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.