Imagine ter um patrimônio que se multiplica quase mil vezes em uma década. Essa é a trajetória do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Documentos enviados pela Receita Federal a uma comissão parlamentar de inquérito revelam uma ascensão financeira extraordinária.
Os números impressionam por sua magnitude e velocidade. Em 2015, Vorcaro declarou ao fisco um patrimônio de cerca de 2,86 milhões de reais. Menos de dez anos depois, esse valor saltou para a marca de 2,6 bilhões de reais. Isso representa um crescimento próximo de 923 vezes no período.
O mais curioso é que esse aumento acelerado não parou nem quando o banco já estava sob o radar das autoridades. Entre 2023 e 2024, já com o Master em crise e sob investigação da Polícia Federal, os bens do banqueiro ainda cresceram 87%. A riqueza pulou de 1,4 bilhão para mais de 2,6 bilhões de reais.
De onde vem tanto dinheiro?
Uma parte significativa desse patrimônio é composta por bens de alto valor. A lista inclui uma fazenda em Nova Lima, Minas Gerais, adquirida por 31 milhões de reais, e apartamentos em bairros nobres de São Paulo e Belo Horizonte, que somam cerca de 90 milhões. São investimentos concretos em imóveis de luxo.
Além dos imóveis, o banqueiro declarou uma coleção valiosa de relógios e obras de arte, avaliada em mais de 47 milhões de reais. Para ter uma ideia do volume de capital líquido, ele informou ter quase um milhão de reais em contas correntes e 250 mil reais em espécie. São números que fogem completamente da realidade da maioria dos brasileiros.
A maior fatia de sua fortuna, no entanto, está em ações de outras empresas. Só neste item, foram declarados cerca de 1,6 bilhão de reais. Essa diversificação mostra como o patrimônio está espalhado em diferentes negócios, indo muito além das operações do banco que ele comanda.
Operações em meio a investigações
Um movimento específico chamou a atenção por seu timing e valor. Em 2024, Vorcaro vendeu uma empresa de operação de aeronaves, a Viking Participações, da qual era sócio. O negócio foi fechado com fundos geridos pela Reag Investimentos por mais de 500 milhões de reais. O capital social da empresa era de 100 milhões no início daquele ano.
A Reag Investimentos, porém, não é uma empresa qualquer no mercado. Ela é investigada na Operação Compliance Zero, a mesma que apura suspeitas no Banco Master. A Polícia Federal busca indícios de crimes como fraude e lavagem de dinheiro, analisando se a gestora administrava fundos com recursos suspeitos.
A ligação com a Reag se torna ainda mais complexa. A gestora também foi alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga desvios no setor de combustíveis e suas possíveis conexões com facções criminosas. São frentes de investigação que dão um pano de fundo intricado às transações que inflaram o patrimônio do banqueiro.
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