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Garota de 15 anos foge de 6 homens em jogo polêmico criado por alunos do ITA

Uma apresentação em uma das instituições de ensino mais respeitadas do país gerou desconforto e revolta. Alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA, elaboraram um projeto de jogo baseado no caso do criminoso Jeffrey Epstein. O trabalho foi exposto em sala de aula para colegas e professora.

O protótipo, batizado de “A Fuga de Sid”, colocava uma jovem de 15 anos como personagem principal. Na história, ela era sequestrada e mantida em uma ilha por seis homens. O objetivo da personagem era escapar do local, conseguindo acesso a um barco e gasolina. Para isso, precisava fugir dos seis vilões, que eram todos homens.

Cada um desses vilões possuía uma preferência específica, que a jovem deveria usar a seu favor. Um deles, por exemplo, não gostava de pessoas que ficavam rindo. A personagem teria então que controlar suas expressões para não irritar os captores. A ideia foi apresentada por um grupo formado apenas por alunos homens.

A apresentação em sala de aula

Durante a exposição do projeto, os estudantes utilizaram uma foto de Jeffrey Epstein. O empresário norte-americano é mundialmente conhecido por comandar uma rede de abuso e exploração sexual de menores. O tema, considerado de extrema gravidade, foi tratado com leveza inadequada no ambiente acadêmico.

Um aluno que assistiu à apresentação contou que ela seguiu até o fim sem interrupções. A professora responsável pela aula teria feito apenas um comentário sobre o tema ser sensível. Segundo o relato, ainda houve risos de parte da turma durante a explanação. O caso rapidamente repercutiu em grupos de mensagens da turma.

Algumas alunas se manifestaram, repreendendo a escolha do tema. Como resposta, receberam uma foto de figurinha com a imagem de Epstein. A situação evidenciou uma desconexão preocupante entre a brincadeira e a realidade dos crimes envolvidos.

A reação dos alunos envolvidos

Questionados sobre a polêmica, um dos alunos responsáveis pelo projeto se explicou. Ele afirmou que o grupo não pensou na conexão que o tema tinha com a realidade. A ideia teria sido elaborada em cerca de dez minutos, inspirada em memes e figurinhas que circulavam nos grupos.

O aluno disse que a apresentação foi rascunhada sem uma reflexão mais profunda. Eles geraram imagens aleatórias e não avaliaram o impacto da temática escolhida. O nome do jogo fazia referência a um estudante do ITA que não tinha qualquer relação com a turma ou com o trabalho.

A justificativa, no entanto, não amenizou a gravidade do ocorrido. Transformar um esquema real de violência contra menores em um enredo de jogo demonstra uma falta de empatia profunda. Informações inacreditáveis como estas mostram como assuntos sérios podem ser banalizados.

O posicionamento oficial do ITA

Diante da repercussão, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica se manifestou através de uma nota oficial. A instituição, vinculada à Força Aérea Brasileira, explicou que a atividade fazia parte de uma disciplina de Engenharia de Computação. O objetivo era desenvolver habilidades de programação por meio da criação de um jogo.

A proposta com a temática de Epstein foi imediatamente descartada. A direção do ITA a identificou como um assunto completamente inapropriado para o contexto acadêmico. O caso está sendo tratado internamente, de acordo com as normas da instituição.

O ITA afirmou que ações de conscientização serão reforçadas com os estudantes. O Grupo de Trabalho de Equidade de Gênero e outros setores da administração vão atuar nessa frente. A instituição reafirmou seu compromisso com uma formação técnica e ética, promovendo um ambiente seguro e respeitoso. Tudo sobre o Brasil e o mundo se reflete, de alguma forma, nas atitudes dentro das salas de aula.

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