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Esposa de Alexandre de Moraes nega ter recebido mensagens de Vorcaro

A esposa do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, nega ter recebido mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração foi divulgada pela assessoria dela e contradiz informações apresentadas pelo próprio ministro do Supremo Tribunal Federal. O caso envolve prints de conversas recuperados pela Polícia Federal.

Essas imagens estavam salvas no celular de Vorcaro, espalhadas por diversas pastas. Em sua maioria, essas pastas estavam vazias, sem outros arquivos ou contatos. Apenas três delas continham contatos salvos, mas não há nenhum registro que prove uma ligação direta entre os prints e esses números.

O ministro Moraes afirmou que as mensagens extraídas estavam vinculadas a pastas de outros contatos, não à dele ou de sua esposa. No entanto, a organização dos arquivos após uma extração de dados não é suficiente para definir o destinatário de uma comunicação. Esse ponto foi destacado por peritos criminais ouvidos pela reportagem.

As mensagens e o método de envio

No dia 17 de novembro, Daniel Vorcaro enviou sete mensagens utilizando um método específico para evitar monitoramento. Os textos eram redigidos no bloco de notas do celular e, em seguida, um print da tela era enviado como mensagem de visualização única. Essa técnica impede que o conteúdo apareça em quebras de sigilo telemático convencionais.

A Polícia Federal conseguiu recuperar essas imagens salvas por Vorcaro. De acordo com as investigações, o destinatário das comunicações seria o ministro Alexandre de Moraes. A PF também identificou no aparelho do banqueiro histórico de ligações e troca de mensagens com o magistrado.

Em uma das mensagens, Vorcaro pergunta: "Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?". Esse print foi encontrado na mesma pasta onde está salvo o contato de "Vivi Moraes". Outra imagem estava armazenada junto ao contato do senador Irajá Abreu, que também negou ter recebido qualquer comunicação.

O contexto do contrato e as negociações

Existe um vínculo profissional entre a família de Moraes e o Banco Master. No início de 2024, a instituição financeira contratou o escritório de advocacia da esposa e dos dois filhos do ministro. O valor mensal do contrato era de 3,6 milhões de reais para auxiliar na defesa dos interesses do banco.

As mensagens de Vorcaro no dia 17 de novembro narravam negociações para tentar salvar o Master. Ele mencionava tratativas com a financeira Fictor, cujo acordo seria anunciado naquela tarde. O banqueiro chegou a dizer que tentava antecipar investidores e tinha chances de anunciar uma parte do negócio ainda naquele dia.

O comunicado oficial sobre a oferta indicava a participação de um consórcio dos Emirados Árabes, mas os investidores nunca tiveram suas identidades reveladas. Em dois momentos, Vorcaro cobrou atualizações de Moraes sem especificar o assunto, reforçando a natureza reservada daquelas trocas.

O andamento das investigações

Até o momento, os investigadores da Polícia Federal afirmam que os diálogos analisados não são razão suficiente para incluir o ministro Alexandre de Moraes nos relatórios da apuração. Eles seguem examinando as evidências e o contexto completo das comunicações.

A situação expõe a complexidade de investigar comunicações que utilizam métodos para evitar rastreamento. A simples localização de um arquivo em uma pasta específica não configura prova definitiva de destinatário, exigindo um trabalho técnico mais aprofundado.

O caso segue em análise, com desdobramentos que dependem do cruzamento de dados e da apuração de todos os fatos relacionados às mensagens e aos envolvidos.

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