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Vorcaro relata em mensagens estar sendo ‘espremido’ por André Esteves em disputa pelo Master

Um banqueiro sob forte pressão escreve à namorada para adiar uma viagem romântica. Ele usa palavras como “aperto gigante” e “virei alvo”. O motivo? Uma disputa de poder nos bastidores do mercado financeiro brasileiro, com nomes de peso envolvidos. Essa troca de mensagens privadas acaba revelando tensões que normalmente ficam nos corredores dos grandes bancos.

Os diálogos, registrados em novembro de 2024, mostram Daniel Vorcaro em um momento crítico. Ele comunica à então namorada, Martha Graeff, que precisaria viajar urgentemente a Lisboa. O motivo era a pressão extrema que enfrentava no mercado. Martha tenta acalmá-lo, sugerindo que poderiam remarcar os planos sem problemas.

A conversa segue horas depois, com Vorcaro sendo mais específico. Ele atribui a pressão diretamente a André Esteves, controlador do BTG Pactual. A frase é contundente: “Esteves me deu uma espremida pra ele ficar com o banco”. Na linguagem do mercado, uma “espremida” significa uma pressão financeira que pode forçar acordos ou vendas.

Vorcaro descreve a si mesmo como um alvo em meio a um conflito. “Tá foda. Virei alvo”, afirma em um momento. Mais tarde, resume tudo com uma expressão dura: “Tô aqui na guerra”. As mensagens pintam um cenário de conflito aberto pelo controle de seu banco, o Master. A interpretação do banqueiro era clara: as movimentações do período eram uma ofensiva para pressioná-lo.

Essa rivalidade entre Vorcaro e Esteves não era nenhum segredo nos círculos financeiros. Os dois sempre travaram disputas por ativos, influência e liquidez. O que as mensagens mostram é que, na visão do próprio controlador do Master, a crise de sua instituição era parte de uma manobra direta do dono do BTG. A tensão extrapolava a concorrência comercial.

Em outras conversas reveladas, Vorcaro chega a relatar que Esteves tentou dissuadi-lo de buscar alternativas para o Master. Numa dessas trocas, ele menciona que ouviu do rival que deveria até “agradecer” pela proposta apresentada. Isso acontecia em um contexto onde o Master já enfrentava dificuldades severas de mercado, tornando a pressão ainda mais intensa.

Curiosamente, a relação entre os dois também teve capítulos de negócios bililionários. Em meio às disputas, em maio de 2025, o BTG concretizou a compra de um pacote de ativos de Vorcaro por cerca de R$ 1,5 bilhão. O negócio ajudou a levantar caixa para tentar capitalizar o Banco Master. Era uma transação prática, mas em um pano de fundo de grande tensão.

Entre os bens vendidos estava o emblemático edifício do Hotel Fasano, no Itaim, em São Paulo. A venda desse ícone ajuda a dimensionar a envergadura da crise que Vorcaro enfrentava. Quando escreveu sobre o “aperto gigante”, ele já prenunciava um desfecho que envolveria a venda de joias da coroa de seu grupo patrimonial.

O Fasano se tornou o símbolo mais claro dessa virada de página. O conteúdo dessas conversas íntimas agora integra investigações oficiais. Autoridades analisam dados extraídos de aparelhos atribuídos a Vorcaro, apreendidos no âmbito das apurações sobre o Banco Master. São materiais que ajudam a reconstruir a narrativa de um período conturbado.

Os dispositivos fazem parte do conjunto de provas que está sendo examinado. As investigações apuram a atuação do grupo financeiro ligado ao banco. Todo esse material foi enviado para a CPMI do INSS, onde parlamentares têm a tarefa de destrinchar os fios dessa complexa teia. As mensagens pessoais, assim, ganham um peso inesperado no cenário público.

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