Desde janeiro, Jair Bolsonaro cumpre pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Seus dias são divididos entre visitas de aliados políticos e encontros mais pessoais. Nessas conversas, o ex-presidente faz desabafos e tenta coordenar de longe a estratégia para as eleições deste ano.
Condenado por tentativa de golpe de Estado, ele vive em regime fechado desde novembro. Relatos de pessoas próximas revelam um homem sob grande tensão. Bolsonaro afirma ter pesadelos constantes e diz comer pouco, com medo de que a comida desencadeie crises de soluço.
A rotina na unidade prisional é limitada. Ele pode assistir à TV aberta apenas por algumas horas diárias. Pela manhã, costuma tomar banho, fazer a barba e ler. À tarde, descansa após o almoço e faz caminhadas. Apesar da rotina, a sensação de isolamento é forte.
O medo e a preocupação familiar
Um dos principais temores do ex-presidente envolve a segurança de seu filho, Flávio Bolsonaro. Ele pediu a aliados que alertassem o primogênito para ter extremo cuidado durante a campanha eleitoral. O assunto o emociona profundamente durante as visitas.
Esse receio não é infundado. Durante um comício em São Paulo, Flávio chegou a usar um colete à prova de balas sob a camisa. O trauma do atentado sofrido pelo pai em 2018 parece pairar sobre a família. Bolsonaro também expressa medo pela própria vida, dizendo ter achado que morreria durante uma cirurgia em dezembro.
Além do físico, o estado emocional preocupa. Aliados relatam que ele se sente injustiçado e impotente. Para tentar amenizar a angústia, Bolsonaro tem recebido assistência religiosa regular dentro da prisão, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.
A vida política atrás das grades
Apesar da reclusão, Bolsonaro mantém um papel ativo na política. Ele se queixa de não estar plenamente informado sobre tudo que acontece fora da Papudinha. Pedidos por detalhes das movimentações em Brasília são constantes durante as visitas.
Sua influência segue sendo buscada. Pré-candidatos de diversos estados visitam a unidade para conseguir seu apoio e desbloquear acordos regionais. O ex-presidente também é peça central na pré-campanha do filho à Presidência, trabalhando para consolidar a candidatura.
Foi ele quem, em conversas com aliados, convenceu muitos sobre a inevitabilidade da candidatura de Flávio. Até mesmo o governador Tarcísio de Freitas foi à Papudinha em janeiro, em um encontro que marcou sua desistência do plano nacional e a opção pela reeleição em São Paulo.
Saúde frágil e relatos de paranoia
A saúde de Bolsonaro é uma preocupação recorrente entre seus visitantes. Além de comer pouco por medo do soluço, as medicações causam efeitos colaterais incômodos. Aliados dizem que os remédios o deixam com náuseas e fisicamente desequilibrado, atrapalhando conversas mais longas.
Alguns chegam a defender que a idade e as comorbidades do ex-presidente justificariam que ele cumprisse pena em casa. Eles argumentam que a Papudinha fica longe de um hospital, o que representaria um risco em caso de emergência.
Relatos de comportamento paranoico também surgem. Após a facada de 2018, aliados descrevem um homem mais suscetível a teorias da conspiração. Em novembro, ainda em prisão domiciliar, ele tentou quebrar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, convencido de que o dispositivo tinha um grampo.
Na mesma época, afirmou a visitantes que era observado por um drone no quintal de sua casa. Esses episódios contribuíram para a decisão judicial de transferi-lo para o regime fechado, onde segue tentando administrar seus temores e sua influência.
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