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PF revela que Sérgio Cabral pediu ajuda a Bacellar para adiar processo na Justiça

Sabe aquele tipo de conversa que você espera nunca ver vazada? Pois é. A Polícia Federal encontrou, em celulares do deputado Rodrigo Bacellar, trocas de mensagens que parecem sair de um roteiro de filme sobre política. O interlocutor era ninguém menos que o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral.

Os diálogos, de maio do ano passado, mostram um pedido direto. Cabral, que tem uma longa história na Justiça, lembrava Bacellar sobre um julgamento seu que estava marcado. O tom era de quem pede um favor corriqueiro, mas o assunto era sério.

Ele pedia, especificamente, que o processo fosse retirado da pauta de julgamento. Isso significa adiar, talvez por tempo indeterminado, uma decisão judicial. O cenário era a 6ª Câmara de Direito Público, um órgão do Tribunal de Justiça do estado.

O diálogo direto nas mensagens

No dia 22 de maio, a mensagem de Cabral foi clara. “Não esquece do meu julgamento na Sexta Câmara. Desculpa te perturbar com isso. Mas será terça. Só pedir para retirar de pauta”, escreveu ele. A linguagem é simples, quase cotidiana, mas o conteúdo é grave.

Bacellar, que na época era o presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio, respondeu de maneira breve: “Te falo”. A frase curta deixava a promessa no ar, sem muitos detalhes sobre como ele poderia interceder em um processo judicial.

Cinco dias depois, a gratidão de Cabral veio à tona. “Saiu de pauta o meu processo. Você é um querido! Te amo, amigo!”, comemorou o ex-governador. A sequência de mensagens desenha um quadro de interferência aparente no andamento da Justiça.

O contexto maior do inquérito

Essas mensagens não são um fato isolado. Elas fazem parte de um inquérito maior da Polícia Federal, que investiga vazamento de dados sigilosos para uma facção criminosa. O nome do jogo, nessa operação, é “Unha e Carne”.

Rodrigo Bacellar foi indiciado nesse inquérito, junto com o ex-deputado conhecido como TH Joias e mais três pessoas. A acusação central é que eles teriam repassado informações confidenciais para o Comando Vermelho.

Bacellar chegou a ser preso em dezembro do ano passado, nesta mesma operação. No entanto, a prisão durou pouco. Poucos dias depois, uma decisão do Supremo Tribunal Federal concedeu liberdade a ele, enquanto o processo segue seu curso.

O que significa “retirar de pauta”?

Para entender a gravidade, é preciso saber o que é uma pauta. No tribunal, a pauta é a lista de processos que serão julgados em uma determinada sessão. Retirar um processo de pauta é, literalmente, tirá-lo da fila.

Isso adia o julgamento para uma data futura, que pode ser semanas ou meses depois. Em alguns contextos, pode significar uma vantagem estratégica para a defesa, que ganha mais tempo para preparar seus argumentos.

O ponto crucial é que essa decisão deveria ser técnica, dos próprios magistrados, baseada em critérios legais. A sugestão de que um político poderia pedir esse favor mostra uma tentativa de atravessar uma linha muito perigosa.

As consequências e os desdobramentos

A revelação dessas conversas joga luz sobre como relações pessoais podem tentar influenciar mecanismos que deveriam ser impessoais. A Justiça opera com prazos e procedimentos que visam à isonomia, ou seja, tratamento igual para todos.

Quando há a percepção de que alguém consegue “adiar” um julgamento com uma mensagem, a confiança pública nesse sistema se abala. É um dano que vai além do caso específico, atingindo a credibilidade das instituições.

Os envolvidos agora enfrentam as investigações. O indiciamento é uma etapa formal onde a PF entende que há indícios de crime. Cabe ao Ministério Público analisar as provas e decidir se oferece ou não denúncia, iniciando de fato um processo criminal.

A história segue em aberto, mostrando que os fios entre política, justiça e informação são mais entrelaçados do que se imagina. Informações inacreditáveis como estas, você encontra somente aqui no site Clevis Oliveira.

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