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STF começa votação do caso Marielle Franco nesta quarta-feira após encerramento das sustentações

O julgamento pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes chega a um momento crucial. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal retoma os trabalhos nesta quarta-feira. Os ministros vão analisar as provas e os argumentos apresentados durante todo o processo.

Depois de ouvir as defesas, chegou a hora dos votos. O relator, ministro Alexandre de Moraes, será o primeiro a se manifestar. Em seguida, votam os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. A decisão deles definirá o destino dos cinco réus.

Eles são acusados de homicídio qualificado e tentativa de assassinato contra a assessora Fernanda Chaves. A acusação também fala em organização criminosa. O desfecho deste julgamento é aguardado por toda a sociedade, que busca justiça há mais de seis anos.

As teses das defesas

Um ponto comum entre os advogados foi questionar a colaboração premiada de Ronnie Lessa. Ele é apontado como autor dos disparos e já foi condenado em outro processo. A defesa de Chiquinho Brazão, por exemplo, afirmou que o acordo seria inconsistente. Alegaram que o objetivo de Lessa seria apenas obter benefícios, como redução de pena.

O time de defesa do ex-parlamentar também negou qualquer ligação com milícias. Sustentou que não existem provas de que ele tenha sido o mandante do crime. A estratégia foi desvincular seu cliente das acusações centrais apresentadas pelo Ministério Público.

Já a defesa de Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil, pediu absolvição. Argumentou que a acusação falou em corrupção, mas não mostrou provas concretas. Negou ainda que a nomeação dele tenha sido articulada pelos irmãos Brazão.

Os questionamentos sobre as provas

A defesa de Domingos Brazão contestou a motivação do crime. A acusação fala em interesses fundiários na Zona Oeste do Rio. Os advogados, porém, questionaram: quais terras seriam essas? Eles pediram que a acusação indicasse, de forma objetiva, as áreas supostamente invadidas ou exploradas.

No caso de Ronald Paulo de Alves, outro ex-policial militar, a defesa foi na mesma linha. Alegou que não há fatos que conectem seu cliente aos demais acusados. O advogado ressaltou que Ronald seria adversário declarado de Ronnie Lessa. Isso, na visão da defesa, tornaria uma atuação conjunta bastante improvável.

A defesa de Robson Calixto Fonseca, o "Peixe", alegou nulidade da denúncia. O argumento é que a acusação contra ele se baseou essencialmente no depoimento de Lessa. Sem provas autônomas, sua inclusão no processo seria, segundo eles, injustificada.

O que esperar da votação

Com o fim das sustentações, o plenário virtual se forma. Cada ministro apresentará seu voto de forma detalhada. Eles vão pesar todas as evidências e os testemunhos colhidos ao longo da investigação. A análise é minuciosa e cada ponto será considerado.

Em caso de condenação, a turma também fixará as penas de forma individualizada. Se houver absolvição, o processo será arquivado em relação aos réus absolvidos. É um momento de tensão e expectativa, mas também de esperança por um veredito justo.

Independente do resultado, a palavra final ainda não terá sido dada. A legislação prevê a possibilidade de recursos para ambas as partes. O caminho até a verdade definitiva pode ainda ter alguns passos. O país acompanha, atento, cada novo capítulo desta história.

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