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STF encerra 1º dia de julgamento de réus pelo assassinato de Marielle

O primeiro dia do julgamento pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes terminou no Supremo Tribunal Federal. A sessão desta terça-feira foi dedicada à apresentação da acusação e às defesas dos cinco réus. O tribunal retoma os trabalhos nesta quarta para ouvir os votos dos ministros.

A acusação, feita pela Procuradoria-Geral da República, pede a condenação de todos os envolvidos. Segundo os procuradores, as provas contra eles são sólidas e consistentes. O julgamento é considerado um marco na busca por respostas para um crime que chocou o país.

Os familiares de Marielle e Anderson estiveram presentes no plenário. Eles acompanharam atentamente cada detalhe e seguem na expectativa por justiça. O caso completa seis anos em 2024, um período longo de espera por um veredito definitivo.

Os acusados e seus papéis

Os cinco homens julgados estão presos preventivamente. Eles são figuras de diferentes esferas do poder no Rio de Janeiro. O conselheiro do Tribunal de Contas Domingos Brazão e seu irmão, o ex-deputado Chiquinho Brazão, são apontados como os mandantes do crime.

O terceiro réu é Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do estado. Na época, ele assumiu o comando das investigações do próprio caso que, segundo a acusação, ajudou a planejar. A delação de um dos executores afirma que Barbosa participou dos preparativos para o assassinato.

Completam a lista o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula e o ex-PM Robson Calixto. O militar é acusado de monitorar a rotina da vereadora. Já Calixto, que era assessor de Domingos Brazão, teria entregue a arma usada no crime.

As linhas de defesa

Os advogados de todos os réus negaram veementemente as acusações. A defesa de Rivaldo Barbosa afirmou que não há qualquer prova de sua participação. O advogado também negou que a nomeação dele para a Polícia Civil tenha sido uma manobra dos Brazão.

O defensor de Chiquinho Brazão foi direto ao ponto. Ele classificou a delação premiada de Ronnie Lessa, o executor confesso, como uma “criação mental”. Segundo ele, o depoimento é mentiroso e não foi confirmado por outras evidências ao longo da investigação.

Já o advogado do major Ronald disse que seu cliente era inimigo de Ronnie Lessa. Ele questionou como alguém colaboraria em um crime ao lado de uma pessoa com quem tinha conflitos. A defesa de Domingos Brazão chamou a acusação de “tenebrosa” e disse não haver provas de motivação econômica.

O contexto e a motivação

A investigação da Polícia Federal construiu uma tese sobre os motivos do crime. Tudo estaria ligado a disputas por terras em áreas controladas por milícias na cidade. Marielle Franco, como vereadora, era uma voz ativa e contrária a esses interesses.

Ela se opunha a projetos de regularização fundiária que beneficiariam grupos específicos. Segundo a acusação, os irmãos Brazão lideravam um desses grupos. A atuação política da vereadora teria se tornado um obstáculo considerável para seus planos.

A defesa de Domingos Brazão rebateu esse ponto especificamente. Seu advogado perguntou qual área exatamente estaria em jogo. Ele argumentou que a acusação não conseguiu mostrar um empreendimento concreto dos Brazão que tenha sido prejudicado por Marielle.

O julgamento segue seu curso, com a nação observando. Cada voto dos ministros trará mais clareza a um dos capítulos mais sombrios da nossa história recente. A expectativa por justiça permanece viva, assim como a memória de Marielle e Anderson.

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