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Justiça nega novo pedido de liberdade e réu permanece preso: entenda o caso

O caso que chocou as redes sociais no ano passado finalmente teve um desfecho judicial. Dois influenciadores digitais foram condenados a longas penas de prisão por crimes graves envolvendo adolescentes. A história, que começou com denúncias anônimas, ganhou enorme visibilidade e levantou um debate necessário sobre os limites e perigos na internet.

Tudo começou de forma discreta, com ligações para o Disque Direitos Humanos. As queixas, no final de 2024, apontavam situações muito sérias. Enquanto isso, nas telas, um dos acusados mantinha uma imagem de sucesso, com milhões de seguidores acompanhando seus vídeos de dança e rotina. A contradição entre a vida online e as acusações nos bastidores era enorme.

A virada ocorreu quando um grande criador de conteúdo nacional decidiu usar seu alcance para amplificar a história. Seu vídeo denúncia, publicado em agosto, foi o estopim. O caso rapidamente saiu das redes e virou notícia em todo o país. A pressão pública acelerou os processos, e os dois influenciadores foram presos preventivamente apenas alguns dias depois da comoção na internet.

O longo caminho até a sentença

A prisão preventiva foi decretada ainda em São Paulo, mas o julgamento seria na terra de um dos acusados. Eles foram transferidos para a Paraíba no fim daquele mesmo mês e, desde então, aguardam o desfecho atrás das grades. O local específico é a Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, em João Pessoa, conhecida como Presídio do Róger.

As investigações revelaram uma trama complexa. Além do processo criminal por exploração sexual de menores, o casal também responde na Justiça do Trabalho. Lá, enfrentam acusações de tráfico de pessoas e de submeter vítimas a condições análogas à escravidão. São frentes distintas que pintam um quadro muito preocupante das atividades que supostamente aconteciam.

Em sua defesa, antes de perder seu perfil nas redes, um dos influenciadores alegou que as mães das adolescentes tinham conhecimento das atividades. Ele também afirmou que duas das jovens já eram emancipadas. Essas justificativas, no entanto, não convenceram as autoridades nem a opinião pública diante da gravidade dos fatos investigados.

O julgamento e a condenação

A primeira audiência importante do caso aconteceu em novembro do ano passado, na cidade de Bayeux. Oito testemunhas foram ouvidas, incluindo uma influenciadora jovem que participou de vídeos com o casal. Dias depois, foi a vez do youtuber que tornou o caso público prestar seu depoimento, agora formalmente, como testemunha de acusação.

A sentença veio em fevereiro. A Justiça paraibana foi clara ao condenar os dois pela produção e divulgação de material com conotação sexual envolvendo adolescentes. As plataformas citadas foram as mesmas que os tornaram famosos: Instagram, TikTok e YouTube. A ironia trágica não passou despercebida.

As penas, no entanto, foram diferentes para cada um. Um dos condenados recebeu uma sentença de onze anos e quatro meses de detenção. Seu companheiro foi sentenciado a oito anos e dez meses de prisão. A decisão judicial marca o fim de um capítulo, mas a discussão sobre responsabilidade e proteção de jovens na internet está longe de terminar.

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