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Trump e Putin fazem Europa puxar gasto militar global

O mundo está gastando mais com forças armadas do que em qualquer momento desde a grande guerra. Mesmo com os Estados Unidos registrando uma leve pausa, o investimento militar global bateu novo recorde. O valor total chegou a impressionantes 2,63 trilhões de dólares.

Para ter uma ideia do que isso representa, essa quantia supera em cerca de um trilhão de reais todo o Produto Interno Bruto estimado para o Brasil em 2025. O crescimento real foi de 2,5% em relação ao ano anterior. O movimento mais forte partiu de um continente específico.

A Europa foi a grande responsável por puxar essa alta, com um aumento histórico de 12,7% em seus gastos. Esse salto muda a participação do continente no bolo mundial. Há apenas três anos, a fatia europeia era de 17%, e agora já representa mais de 21%.

O que explica a corrida armamentista na Europa

Dois nomes são centrais para entender essa reviravolta: Vladimir Putin e Donald Trump. A ansiedade com a Rússia já existia desde a anexação da Crimeia, em 2014. No entanto, a invasão em larga escala da Ucrânia, há quatro anos, acendeu um alerta vermelho definitivo.

Foi esse clima de insegurança que colocou a remilitarização europeia nos trilhos. A volta de Trump à presidência americana, porém, acelerou o processo drasticamente. Ele cumpriu a promessa de fazer os aliados bancarem a maior parte do apoio à Ucrânia.

A postura do líder americano, incluindo ameaças a aliados e a redução do envio direto de ajuda, forçou a mão dos europeus. Eles precisaram comprar mais equipamentos para enviar a Kiev e reforçar suas próprias defesas. A resposta foi um aumento massivo nos orçamentos.

A Alemanha se destaca nesse cenário, assumindo a liderança do movimento. Os gastos alemães saltaram de 88 para 107 bilhões de dólares em apenas um ano. Com isso, o país ampliou sua vantagem sobre o Reino Unido e consolidou uma trajetória de investimentos pesados de longo prazo.

A ainda esmagadora liderança dos Estados Unidos

Apesar do salto europeu, os Estados Unidos seguem sozinhos no topo do ranking. Eles ainda respondem por 35% de todo o gasto militar global, um percentual maior do que qualquer região do planeta combinada. Para ilustrar, em apenas dez dias os EUA gastam o que o Brasil investe em um ano inteiro.

O país até registrou uma pequena queda de 5% no último ano, devido a uma regra orçamentária transitória. Mas isso foi apenas um soluço. A administração Trump já aprovou o primeiro orçamento de defesa a ultrapassar a marca de um trilhão de dólares.

Esse novo orçamento, que pode crescer ainda mais, inclui programas caríssimos como o sistema antimíssil Domo Dourado. Tudo indica que o próximo relatório trará um novo recorde absoluto para os gastos americanos. Ainda assim, há uma curiosidade.

Trump cobra que os aliados da Otan destinem 5% do seu PIB para a defesa. Os Estados Unidos, no entanto, gastaram apenas 3% do seu próprio Produto Interno Bruto no ano passado. A média global, por sua vez, segue subindo e já atingiu 2,01%.

A nova matemática do poder: China e Rússia

Uma análise mais profunda revela uma mudança de perspectiva importante. Considerando o poder de compra real dentro de cada país, a soma dos gastos da China e da Rússia superou, pela primeira vez, a despesa americana. É uma visão que vai além dos valores nominais.

Isso acontece porque o dinheiro aplicado em território chinês ou russo rende muito mais, dados os custos locais de produção e mão de obra. Enquanto os EUA tiveram seu pequeno recuo, os rivais continuaram expandindo seus investimentos militares de forma constante.

A Rússia, após um aumento explosivo de 57% em 2024, desacelerou o ritmo no ano passado. Especialistas alertam, porém, que isso pode refletir apenas uma gestão orçamentária mais eficiente. A máquina de guerra de Moscou se mantém intacta e adaptável, representando uma ameaça contínua à Europa.

E o Brasil nesta fotografia?

Enquanto o mundo acelera seus investimentos, o Brasil segue na direção oposta. O país caiu mais três posições no ranking global e agora ocupa a vigésima colocação. Os cortes orçamentários explicam esse movimento de descenso, que já era observado nos anos anteriores.

No final do ano passado, foi aprovada uma medida que permite gastos extras de até cinco bilhões de reais fora da meta fiscal em projetos prioritários. Apesar disso, a expectativa é que essa injeção de recursos não altere de forma significativa o quadro geral de contenção.

O cenário global desenhado é de uma despesa militar que não para de crescer. Os reflexos da guerra na Ucrânia e as tensões geopolíticas reconfiguram prioridades e orçamentos ao redor do planeta, em um movimento que parece longe de arrefecer.

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