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Suprema Corte derruba tarifaço em maior golpe contra governo Trump

A Suprema Corte dos Estados Unidos tomou uma decisão que reverberou no coração da política comercial de Donald Trump. Os juízes consideraram ilegais as tarifas que o governo impôs a dezenas de países. Esse veredicto representa um golpe significativo em um dos pilares centrais da administração republicana.

A questão foi levada à corte por empresas americanas que se sentiram prejudicadas pela medida. Elas questionavam se uma lei de emergência econômica realmente dava ao presidente o poder de criar tarifas globais por tempo indeterminado. Pela Constituição americana, essa autoridade pertence tradicionalmente ao Congresso.

A derrota para Trump aconteceu mesmo com a maioria conservadora de 6 a 3 na Suprema Corte. O caso foi debatido durante horas em novembro, e a decisão final foi unânime nesse ponto central. Isso mostra como a ação foi vista como um excesso, mesmo por parte de seus aliados políticos.

O impacto direto nas contas do governo

Agora, a administração Trump enfrenta consequências financeiras práticas e imediatas. O governo já distribuiu bilhões de dólares arrecadados com as tarifas para ajudar agricultores afetados. Com a decisão da corte, o caminho para continuar arrecadando e usando esse dinheiro ficou muito mais complicado.

A Casa Branca insiste que não vai abandonar a política de tarifas unilaterais. No entanto, a sentença obriga a equipe de Trump a buscar novos fundamentos legais para suas ações. Eles não podem mais usar a lei de emergência econômica da mesma forma ampla e indefinida.

O timing dessa decisão é crucial também para o Brasil. Nosso governo negocia justamente a retirada das tarifas que ainda pesam sobre produtos como aço e alumínio. A decisão judicial americana pode influenciar essas conversas, que são uma prioridade para o Itamaraty.

Quem realmente paga a conta das tarifas?

Um dos pontos mais debatidos sempre foi quem arca com o custo final dessas medidas. O presidente da Suprema Corte, John Roberts, foi direto ao ponto. Ele afirmou que as tarifas funcionam basicamente como um imposto sobre os próprios americanos.

Estudos do Banco da Reserva Federal de Nova York confirmaram essa visão. A pesquisa calculou que famílias e empresas dos EUA absorveram cerca de 90% do custo das tarifas no ano passado. O impacto no bolso do consumidor foi real e mensurável.

Para tentar compensar essa pressão, chegou a ser sugerido o envio de cheques de "reembolso" aos cidadãos. A ideia, porém, esbarra na matemática simples. Muitos analistas duvidam que a receita gerada seja suficiente para cobrir um programa desse tamanho.

Um revés que não veio sozinho

Essa não foi a primeira vez que a política tarifária de Trump sofreu um revés significativo. Anteriormente, ele enfrentou uma rara repreensão dentro de seu próprio partido. Seis republicanos na Câmara dos Representantes votaram contra as tarifas impostas ao Canadá.

Esses eventos pintam um quadro de resistência institucional. O Congresso reafirma seu papel constitucional, e o Judiciário estabelece limites. Juntos, eles contêm iniciativas presidenciais que são vistas como ultrapassando a autoridade executiva.

O resultado é um cenário comercial mais complexo para a administração. A busca por acordos bilaterais, como o que é discutido com o Brasil, ganha ainda mais importância. O caminho das tarifas unilaterais, pelo menos da forma como foi feito, está judicialmente bloqueado.

A decisão da Suprema Corte redefine as regras do jogo no comércio exterior americano. Ela deixa claro que, mesmo em um cenário político polarizado, certos freios e contrapesos institucionais seguem funcionando. O episódio serve como um capítulo importante na relação entre os poderes nos Estados Unidos.

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