A temporada 2026 da Fórmula 1 ainda está longe, mas o debate sobre os novos carros já começou com força total. Os pilotos aproveitaram os primeiros testes no Bahrein para dar um feedback direto sobre as mudanças técnicas. A principal queixa parece girar em torno de um componente específico: o sistema de gerenciamento de energia.
Esse complexo conjunto de peças é responsável por recuperar e entregar potência extra durante as voltas. A ideia é boa no papel, mas na prática pode estar complicando demais a vida dos pilotos. Eles sentem que a pilotagem está perdendo um pouco da essência, aquela conexão direta entre o comando do volante e a resposta do carro.
Diante dos comentários, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) decidiu prestar atenção. Nikolas Tombazis, diretor técnico da entidade, admitiu que as reclamações não são novidade. A discussão começou ainda nos simuladores, ao longo do ano passado, e agora ganhou o reforço das sensações reais na pista.
A voz dos pilotos ganha espaço
Nomes de peso do grid foram bem claros em suas opiniões. Max Verstappen, tricampeão mundial, foi um dos mais incisivos. Ele chegou a sugerir que a categoria deveria simplesmente "se livrar das baterias". Para ele, a complexidade atual tira parte do desafio e do controle que um piloto deve ter sobre o monoposto.
Lando Norris também entrou na conversa, defendendo que o modelo atual não representa a forma "mais pura" de competir. Ele valoriza a simplicidade e a habilidade bruta, elementos que podem estar sendo ofuscados pela tecnologia excessiva. Lewis Hamilton e Fernando Alonso, experientes e respeitados, igualmente manifestaram certo nível de insatisfação com a direção tomada.
Tombazis reconheceu que os comentários da pré-temporada no Bahrein foram até mais positivos que os dos simuladores. Mesmo assim, as críticas de figuras como Verstappen são levadas a sério. A entidade entende que o projeto é novo e que ajustes fazem parte do processo de evolução natural de qualquer regulamento.
O caminho para possíveis mudanças
A FIA já sinalizou que está aberta ao diálogo. A intenção é conversar com as equipes e os fabricantes de motores para avaliar o que pode ser refinado. Tombazis acredita que existem formas de "calibrar o regulamento" sem necessariamente descartar todo o conceito atual. O objetivo é encontrar um equilíbrio entre inovação, sustentabilidade e a esportividade que define a F1.
No entanto, nenhuma decisão será tomada às pressas. A federação prefere aguardar a primeira corrida oficial para ter uma avaliação mais precisa. Nos testes, os carros não competem diretamente uns contra os outros, o que limita a análise. A verdadeira prova de fogo acontece no Grande Prêmio da Austrália, marcado para 15 de março.
Mudanças no regulamento exigem discussão e passam por um processo formal de governança da categoria. Por isso, é improvável ver alguma alteração entre a etapa de abertura e a segunda corrida, na China. A boa notícia é que, se for necessário mudar, o processo não deve levar meses. A escuta continua e a temporada de 2026 promete começar com um grande aprendizado para todos os lados.
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