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Meloni diz que é prematuro assinar acordo entre UE e Mercosul

O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que parecia pronto para ser selado, encontrou um novo obstáculo em solo europeu. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, declarou que ainda é cedo para a assinatura. Ela pediu mais garantias para os agricultores europeus, que temem a concorrência dos produtos sul-americanos.

A declaração italiana joga um balde de água fria nas expectativas de uma assinatura iminente. Havia uma esperança concreta de que o pacto fosse rubricado ainda neste sábado, durante uma visita da presidente da Comissão Europeia ao Brasil. O acordo foi costurado ao longo de 25 anos e beneficiaria um mercado de mais de 700 milhões de pessoas.

Agora, tudo depende de uma reunião crucial do Conselho da União Europeia, onde os 27 países-membros precisam dar seu aval. A França já se posicionou contra o tratado, recebendo apoio da Polônia e da Hungria. Para formar um bloco de oposição capaz de travar a decisão, falta apenas um quarto país.

Esse quarto país parece ser justamente a Itália. Se Áustria e Irlanda, que já demonstraram simpatia pela posição francesa, decidirem se juntar ao grupo, a situação se complica ainda mais. Nesse cenário, é provável que a Dinamarca, que preside o bloco temporariamente, nem submeta o acordo à votação.

O impasse gira em torno de um ponto sensível: a proteção do setor agrícola europeu. Produtores de países como França e Itália temem que a entrada de commodities do Mercosul, com tarifas reduzidas, possa prejudicar seus negócios. Eles argumentam que precisam de salvaguardas robustas contra eventuais quedas bruscas de preço.

Para tentar contornar essas resistências, o Parlamento Europeu aprovou regras mais duras de proteção. Agora, uma investigação será aberta se a flutuação nos preços de produtos sensíveis ultrapassar 5%. Além disso, ficou claro que qualquer importação do Mercosul deverá seguir à risca os rigorosos padrões sanitários e ambientais europeus.

Do outro lado do Atlântico, os países do Mercosul veem no acordo uma grande oportunidade. A redução de tarifas abriria as portas da Europa para produtos agrícolas como soja, carne e café. Em contrapartida, as empresas europeias teriam vantagens para exportar carros, máquinas, vinhos e serviços para a América do Sul.

Apesar dos novos entraves, a primeira-ministra italiana deixou uma porta aberta. Ela se disse confiante de que as condições para a assinatura poderão ser alcançadas no início do próximo ano. O caminho, no entanto, exige mais conversas e a construção de um consenso que parecia já estar pronto.

O suspense continua, e o destino de um dos maiores acordos comerciais do planeta segue incerto. Enquanto líderes negociam nos gabinetes, produtores rurais e industriais dos dois blocos aguardam, na expectativa de saber como ficarão suas relações comerciais nos próximos anos.

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