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‘Não é propaganda, é narrativa histórica’, diz autor de samba em homenagem a Lula

Quando as sirenes do Sambódromo dorem neste domingo, uma escola vai fazer história. A Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, será a primeira a homenagear um presidente da República em exercício. Seu enredo celebra a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva.

A escolha, claro, gerou debate. Políticos da oposição viram autopromação e campanha antecipada. Questionaram até o repasse de verbas públicas, comum a todas as agremiações. Os órgãos de controle, no entanto, não viem irregularidade e liberaram os recursos.

As críticas seguiram em forma de denúncias eleitorais. Todas foram rejeitadas até agora. O desfile segue como planejado, com um detalhe especial. A primeira-dama Janja confirmou que estará em um dos carros alegóricos da escola.

A construção do samba-enredo

Para contar essa história, a escola chamou compositores experientes. Paulo César Feital, um dos autores, tem treze sambas no currículo da Sapucaí. Ele defende que a obra é pura narrativa, e não propaganda política.

O samba é descritivo e conta a vida de Lula pela perspectiva de sua mãe. Fala da saída do Nordeste, da luta pela sobrevivência e da jornada política. A equipe quis destacar a trajetória pessoal, não os feitos de governo.

“Basta ouvir. Não pede voto, não exalta governo”, afirma Feital. Para ele, as acusões partem de quem não ouviu a letra ou age de má-fé. A polarização política do país, segundo o compositor, tornava a reação contrária inevitável.

Um encontro emocionante no Alvorada

Os compositores tiveram um encontro marcante com o presidente. A reunião, prevista para meia hora, durou quase duas. Ao ouvir o samba, Lula se emocionou profundamente e chorou.

A escolha do ponto de vista foi crucial. Ouvir a própria história narrada como se fosse por sua mãe comoveu o homenageado. O momento informal se transformou em uma roda de samba dentro do palácio.

A emoção veio do resgate de uma memória íntima e difícil. A saga de Dona Lindu saindo de Pernambuco a pé com os filhos não é apenas um dado biográfico. É a origem de uma narrativa que milhões de brasileiros compartilham.

Expectativa para a noite do desfile

Para a noite de domingo, a expectativa é de um desfile sério e digno. A escola carrega o peso da estreia no Grupo Especial e o desejo de permanecer entre as grandes. O enredo polêmico só aumenta os holofotes.

A força do samba, já cantado pelo povo, é um trunfo. Um refrão que gruda facilmente pode conquistar a arquibancada e os jurados. O desafio técnico é imenso, mas a união da comunidade dá confiança.

No final, o que fica é a celebração de uma vida. Seja qual for a posição política de cada um, a avenida vai ver a reconstrução de uma jornada. A Marquês de Sapucaí sempre foi um palco para histórias brasileiras. Agora, ela recebe uma que ainda está sendo escrita.

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