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Desfiles em SP têm homenagens a povos originários; Rio tem sábado com Série Ouro

O segundo dia de desfiles do Grupo Especial em São Paulo promete uma noite repleta de emoção e homenagens profundas. Sete escolas vão ocupar a avenida no sambódromo do Anhembi, cada uma trazendo uma história única para contar. Dos girassóis de Van Gogh à força dos povos indígenas, os enredos celebram memória, arte e resistência. A apuração dos resultados acontece apenas na terça-feira, deixando o suspense no ar durante todo o fim de semana.

A ordem dos desfiles começa com a Império da Casa Verde, que abre a noite às vinte e duas e meia. A escola vai falar sobre ourivesaria e joias afro-brasileiras, os chamados balangandãs. O enredo é um resgate da tradição e da luta pela liberdade, mostrando a importância cultural desses adornos. A apresentação promete ser um verdadeiro tributo à ancestralidade negra.

Na sequência, a Águia de Ouro leva para a avenida um pedaço da Holanda. O enredo é uma homenagem à cidade de Amsterdã, carinhosamente chamada de Mokum. A escola vai representar o voo da liberdade e a arte de Vincent Van Gogh, com seus famosos girassóis. A proposta é um passeio pela cultura e pelo espírito libertário da capital holandesa, sempre ao som de um samba envolvente.

Logo depois, a Mocidade Alegre presta uma homenagem emocionante à atriz Léa Garcia. A artista, que faleceu no ano passado, é celebrada como uma deusa negra e um símbolo de resistência. O enredo destaca sua trajetória no cinema e no teatro, além de seu papel fundamental na luta pela igualdade racial no Brasil. É um desfile que promove muita emoção e reconhecimento.

As histórias de fé e tradição

Chegando à madrugada, os Gaviões da Fiel entram na avenida com um enredo sobre vozes ancestrais. A escola, tradicionalmente ligada ao Corinthians, vai cantar a importância e o protagonismo dos povos indígenas. A proposta é dar visibilidade às tradições e às lutas dessas populações, projetando um novo amanhã. O desfile reforça o compromisso da agremiação com temas sociais relevantes.

A Estrela do Terceiro Milênio, representante do Grajaú, homenageia o poeta e compositor Paulo César Pinheiro. O enredo faz uma viagem pela vida e obra do autor de clássicos como Canto das Três Raças. É uma celebração da poesia e da música popular brasileira, mostrando como suas letras permanecem atuais. A escola, recém-promovida, quer brilhar com essa história bonita.

Em seguida, a Tom Maior traz para o sambódromo uma mensagem de fé e espiritualidade. O enredo é uma homenagem a Chico Xavier, explorando as raízes de sua doutrina e sua influência no espiritismo brasileiro. A escola da Barra Funda vai representar a cidade de Uberaba e os valores de caridade pregados pelo médium. O desfile propõe uma reflexão sobre a vida além da matéria.

O encerramento com axé

Para fechar a noite em grande estilo, a veterana Camisa Verde e Branco sobe à avenida às cinco da manhã. A escola vai cantar o orixá Exu, uma entidade fundamental na tradição yorubá. O enredo, chamado Abrindo Caminhos, destaca o caráter protetor e desbravador dessa figura, muitas vezes mal compreendida. É um desfile de forte significado religioso e cultural, cheio de energia e cor.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, a disputa na Série Ouro também esquenta com participantes especiais. Escolas mais jovens desafiam os tradicionais medalhões do carnaval carioca por uma vaga no Grupo Especial. A competição mostra a força renovada das agremiações de bairro, que trazem ideias frescas e muita comunidade para a avenida. A vitória aqui vale um passaporte para o topo em 2027.

Entre as novatas, a União de Maricá, fundada em 2015, chama a atenção. A escola é comandada pelo experiente carnavalesco Leandro Vieira, que já venceu no Grupo Especial. Seu enredo também fala sobre balangandãs, mas sob uma perspectiva de rebeldia e economia. A proposta conta a história de mulheres negras que transformaram joias em poupança, construindo sua própria liberdade de forma independente.

Outra estreante de destaque é a Botafogo Samba Clube, primeira escola ligada a um clube de futebol na Sapucaí. Seu enredo é uma homenagem colorida ao paisagista Roberto Burle Marx. Os carnavalescos optaram por um tema desconectado do futebol, buscando liberdade criativa. O desfile vai mostrar desde as pinturas abstratas do artista até seu legado vivo no Sítio Burle Marx, patrimônio da humanidade.

A ordem dos desfiles no Rio colocou essas jovens agremiações ao lado de gigantes como Império Serrano e Estácio de Sá. É uma prova de que o carnaval continua em evolução, abrindo espaço para novas vozes e histórias. A energia dessas escolas, somada à tradição das mais antigas, garante um espetáculo diverso e emocionante na Marquês de Sapucaí. A festa, definitivamente, não para.

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