Durante anos, acreditava que viajar era sobre encontrar o diferente. Como um jovem de São Paulo, achava que o mundo lá fora era um lugar de contrastes radicais. A verdade, descoberta após milhares de quilômetros, foi outra.
Descobri que, no fundo, somos todos profundamente iguais. Choramos pelos mesmos motivos e temos sonhos muito parecidos. O amor e a indignação nos movem de formas universais.
Nossas preocupações mais básicas se repetem em qualquer cultura. Pais não dormem enquanto os filhos não estão seguros. Cozinhar para alguém é um gesto de carinho em qualquer idioma. Um sorriso de agradecimento tem o mesmo valor no mundo todo.
A encruzilhada que enfrentamos
Chegamos a 2026 em um momento decisivo para o clima, a sociedade e a política. Os desafios são enormes e complexos, é verdade. A solução, porém, pode estar em um princípio simples.
Precisamos colocar a dignidade humana no centro de todas as nossas discussões. Isso significa lutar para preservar a humanidade de cada pessoa. Sem esse cuidado, qualquer progresso fica vazio.
Vimos recentemente como a desumanização é uma ferramenta de poder. Quando um grupo é tratado como menos humano, a retirada de seus direitos vem em seguida. É um processo de asfixia social que começa com o desrespeito.
A dignidade como projeto coletivo
Nelson Mandela ensinou que a luta pela dignidade não é um luxo. É a base de tudo. Num mundo de redes sociais e individualismo, essa ideia soa quase revolucionária.
Existe um conceito africano chamado Ubuntu, que um filósofo traduziu bem: “Eu sou porque nós somos”. Essa frase guarda uma verdade poderosa. A dignidade só é real quando é coletiva.
Um ataque a uma pessoa é um ataque a toda a comunidade. Ignorar a injustiça com o outro corrói a humanidade de todos nós, inclusive a nossa. A humanidade é um projeto compartilhado.
A resistência necessária em 2026
Nos últimos tempos, a noção de dignidade foi soterrada por bombas, vírus e discursos de ódio. A ganância e o desprezo promoveram uma destruição profunda. Parece que estamos desaprendendo a ver o outro.
Mas é justamente agora que não podemos abrir mão de certas utopias. Preservar a dignidade alheia tornou-se um ato subversivo. É recusar-se a participar desse desmonte.
O novo ano exige de nós coragem prática e indignação propositiva. Não é preciso concordar com alguém para defender seu direito ao respeito. A longa obra de resgate da nossa humanidade comum não pode esperar. Que venha 2026, com todos os seus desafios e aprendizados.
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